Pecuária orgânica é oportunidade de negócio no pós-pandemia

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(Foto: Pixabay)

Com o início da pandemia, houve um aumento no interesse e na procura por trabalhos científicos e atividades de produtores e feiras orgânicos e por produtos orgânicos nos supermercados. Isto mostra que a pecuária orgânica é viável e representa uma oportunidade de mercado no período pós-pandemia, avalia o pesquisador João Paulo Soares, da Embrapa Cerrados.

“Nessa perspectiva, vemos a possibilidade de uma grande oportunidade, tanto para zootecnistas, agrônomos, veterinários e empresas, de ter no mercado de produção orgânica vegetal e animal uma grande demanda no futuro”, disse Soares, acrescentando que não será necessário abrir novas áreas agrícolas.

Na pecuária orgânica, devem ser utilizadas práticas zootécnicas que maximizem o bem estar animal, a qualidade do produto e o retorno econômico. Também devem ser utilizados animais cujos genótipos sejam adaptados aos sistemas não intensivos ou semi-intensivos. Nesse tipo de sistema, não são permitidos agroquímicos, hormônios sintéticos nem organismos geneticamente modificados.

Apesar de ainda pouco representativo em comparação com o mercado convencional, o mercado de pecuária orgânica tem um crescimento anual estimado em 20 a 30%, de acordo com o Forschungsinstitut für biologischen Landbau (FiBL – Instituto de Pesquisa em Agricultura Orgânica), da Suíça, e com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o pesquisador, ainda são necessárias “soluções de inovação para o desenvolvimento da produção”.

Soares reafirmou que os sistemas orgânicos de produção animal são técnica e economicamente viáveis, desde que os diversos arranjos produtivos possíveis estejam equilibrados, havendo maior preocupação com o meio ambiente, maior bem estar animal e ausência de resíduos.

O pesquisador disse que os produtos orgânicos têm como mercado preferencial o de produtos frescos em âmbito local e regional. Nesse sentido, ele destacou a oportunidade para produtores de começarem a trabalhar ou fazerem a conversão para a produção orgânica, uma vez que os produtos têm maior valor agregado e, se processados, podem alcançar mercados mais distantes e rentáveis.

“É uma oportunidade no pós-pandemia porque vai se buscar qualquer tipo de alimento com qualidade”, observou, explicando que a pequena propriedade é mais ajustada para os sistemas orgânicos.