São Paulo é a melhor cidade brasileira para criar produtos feitos de CO2

(Foto: Pixabay)

O estado de São Paulo é o melhor local no Brasil para instalar usinas de conversão e uso do dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases de efeito estufa (GEE), na manufatura de produtos. 

O resultado é de uma pesquisa realizada por um grupo do Departamento de Engenharia Química da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com os pesquisadores, São Paulo possui uma das maiores quantidades disponíveis de CO2 para conversão no país, por ter em seu território ou próximo usinas termelétricas que são grandes emissoras do gás. Além de alta demanda por possíveis produtos feitos à base de CO2.

Os produtos à base de CO2 mais promissores dentro do mercado brasileiro pertencem a quatro grupos: materiais de construção (concreto e agregados de carbonato); intermediários químicos (metanol, gás de síntese e ácido fórmico); combustíveis (combustíveis líquidos, metano); e polímeros (polióis e policarbonatos).

Embora não seja considerado o gás com os piores efeitos ao ambiente, o CO2 é responsável por mais de 70% das emissões de GEE. Os outros quase 30% são compostos basicamente por metano (CH4), óxido nitroso (N2O) e gases fluorados (F-gases). 

Os pesquisadores estimam que até 10% do dióxido carbono emitido poderia ser usado nesses processos. Atualmente, o Brasil é o sexto maior emissor de CO2 do mundo, com uma produção estimada em 1,7 bilhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente.

Os autores do estudo ressaltam que a adoção de políticas públicas de baixo carbono pelo Brasil ajudará o país a cumprir as suas metas do Acordo de Paris, em que propôs reduzir suas emissões em 37% até 2025, com base nas suas emissões de 2005.

“Há uma quantidade enorme de emissões de CO2 que poderiam ser utilizadas no Brasil na produção de insumos que hoje são importados, como a ureia, o metanol e o ácido acético. Esses insumos hoje são praticamente todos produzidos a partir de petróleo. E poderiam ser feitos a partir do CO2”, ressalta o professor Claudio Augusto Oller do Nascimento, vice-diretor do Programa de Físico-Química do Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI) e coautor do artigo.

A ureia, por exemplo, é um dos principais fertilizantes usados na agricultura brasileira e já é feita a partir de CO2. Mas grande parte do produto consumido no Brasil é importada.

De acordo com o estudo, a quantidade média e os custos de importação de ureia, metanol e ácido acético apresenta tendência a aumentar. Os três também foram os produtos com o maior valor de importações entre 2000 e 2018.

“O Brasil é um país grande exportador de commodities agrícolas e fica dependendo de fertilizantes de outros lugares e fechando fábricas produtores de ureia aqui”, observa Oller do Nascimento.

A pesquisa também indica que o Brasil pode fabricar produtos usados para fazer extintores de incêndio, aparelhos de ar condicionado, embalagens de alimentos, limpeza a seco, aditivos para bebidas e até para o tratamento da água.