A importância da segurança alimentar

(Foto: Reprodução)

A operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal nessa sexta-feira, 17 de março, mostrou ao país como empresários do setor de carne podem prejudicar a imagem de uma nação, os esforços de recuperação da economia e a necessidade do país discutir a segurança alimentar.

Foi a maior operação da Polícia Federal: mais de mil agentes, em sete Estados  cumpriram 309 mandados judiciais, 38 de prisão contra fiscais e empresários do agronegócio. Acabou o churrasco do fim de semana e o “S”para carne sadia… Que fim de feira (que vende carne sem CIF) chegou o Brasil!

As notícias dessa operação são nojentas, por todos os ângulos: alimentar, políticas públicas, empresarial, comercial. Todo estão envolvidos em ação criminosa:

  • Envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos.
  • Envolvimento das principais empresas do setor, como a BRF Brasil – das marcas Sadia e Perdigão; a JBS – das marcas Friboi, Seara e Swift; frigorífico Peccin –um dos que tinha irregularidades gravíssimas, como uso de carnes podres; e outros frigoríficos .
  • Adulteração da carne da merenda escolar;
  • Carne com salmonela foi exportada e – felizmente – barrada na Europa (lá a fiscalização é séria)
  • As irregularidades incluíam o aproveitamento de animais mortos (e não abatidos) para produção de linguiça (o que é ilegal), comercialização de certificados sanitários e pagamento de propina a fiscais e agentes de inspeção.
  • Parte da corrupção da carne ia para partidos políticos (ótima informação para os três anos da Operação Lava Jato)
  • Três fábricas de aves, salsicha e mortadela foram fechadas outras 21 estão sob suspeitas de fraude em carne bovina e até ração para animais de estimação.

A denúncia de um fiscal agropecuário federal do Paraná, que sofreu uma série de punições de seus superiores por não participar de esquema de corrupção, foi a origem da investigação que resultou na prisão de executivos das maiores empresas processadoras de carne animal no país e as revelações sobre a venda de carne imprópria para consumo humano. (Parabéns ao cidadão Daniel Gouvêa Teixeira, que era lotado na Superintendência Federal da Agricultura no estado do Paraná, como chefe substituto do Serviço de Inspeção de Produto de Origem Animal – Sipoa).

E agora José?

A sociedade deve exigir segurança alimentar, fiscalização das certificações, rastreabilidade, diminuição do uso de pesticidas, agrotóxicos, elementos químicos, conservantes, e sei lá mais o quê.

Uma vergonha para o país, horror de pensar que idosos, crianças e todos nós almoçamos e jantamos – no bandejão, self service ou no restaurante chic e da moda – a mesma carne com problemas de adulteração, legumes, verduras e frutas com agrotóxico.

A BRF assegurou a qualidade e a segurança de seus produtos e garante que não há nenhum risco para seus consumidores, seja no Brasil ou nos mais de 150 países em que atua. Aqui pode passar, mas em parte dessas nações esse discurso não vai colar…

Precisamos ouvir as novas mensagens dos vegetarianos e veganos, entender e optar por um estilo de viver sustentável, com respeito aos animais e – sempre – exigir segurança alimentar.

Vamos pensar muito, afinal como eternizou Hipócrates, o Pai da Medicina, “Somos o que comemos”.