No Dia do Meio Ambiente, temos pouco a celebrar e muito o que honrar

floresta - meio ambiente
(Foto: Javi Indy/ Freepik)

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi criado em 1992, para alertar a sociedade mundial sobre os perigos de não cuidar do planeta. É um dia para celebrar o amor coletivo e a natureza, além de promover ações para proteger o meio ambiente e as suas belezas naturais.

O Brasil é um dos países mais privilegiados do mundo. Possui seis biomas e uma rica biodiversidade, que não pode ser encontrada em nenhuma outra parte do planeta. Honramos essa distinção da natureza.

Entretanto, nesta sexta-feira (05), temos pouco a celebrar. No último ano, o Brasil enfrentou queimadas, recordes de desmatamento, o maior desastre ambiental com o vazamento de óleo no litoral e o desmonte de políticas públicas ambientais.

Em meio a pandemia do Covid-19, o desmatamento segue mais forte do nunca. Entre janeiro e maio deste ano, os alertas de áreas desmatadas bateram recorde, totalizando 1.843,72 quilômetros quadrados (km²), o que representa um aumento de 22% em relação ao mesmo período de 2019, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Enquanto isso, as ações de fiscalização e os autos de infração vêm caindo, com o discurso do governo que incentiva a exploração de áreas protegidas. Além de projetos de lei e despachos que tentam conceder terras protegidas a grileiros na Amazônia, no Cerrado e na Mata Atlântica.

O governo brasileiro que já protagonizou momentos diplomáticos importantes, pela sua grande influência e pioneirismo ambiental, vai na contramão de um mundo sustentável. Países, como Holanda e França, e empresas ameaçam boicote econômico, se nada for feito para garantir a preservação da natureza e de comunidades indígenas.

Chegamos a este 05 de junho em um momento único na história. O Covid-19 comprova que um meio ambiente desequilibrado é capaz de devastar a população humana e é um alerta de que é preciso mudanças drásticas, antes que o aquecimento global chegue a um ponto que não possa ser mais revertido.

Ainda há esperança. Há um movimento global de cidadãos que pedem medidas ambientais mais rigorosas dos seus governos, que estão dispostos a consumir alimentos saudáveis e sustentáveis, a investir em produtos e empresas que preservem o planeta, a estimular a economia local e circular, e desejam e lutam pelo fim da desigualdade social, racial e econômica em seus países.

Devemos olhar para este momento como uma oportunidade de comprometimento com o planeta, com as mudanças de hábitos e incentivo ao desenvolvimento sustentável. É hora do agronegócio destacar a produção de orgânicos, agroecológicos e biodinâmicos. É hora das empresas e as indústrias incorporarem a sustentabilidade em toda a sua cadeia produtiva. É hora do meio ambiente ser prioridade mundial!