Bons exemplos de manutenção de distribuição de alimentos orgânicos durante a pandemia

(Foto: Reprodução Youtube)

Quais os desafios e oportunidades das compras públicas de orgânicos na alimentação escolar na atual conjuntura, em plena pandemia? Para discutir o assunto, o Instituto Brasil Orgânico reuniu representantes da cadeia que alicerça as compras para merenda escolar: produtor, nutricionista e pode público num webinar, nesta quarta-feira (05).

Ana Flavia Badue, do Instituto Kairós e conselheira do Instituto Brasil Orgânico, conduziu o debate e mostrou como a Política Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) tem conseguido garantir as compras e distribuição de alimentos, inclusive 30% da agricultura familiar e orgânicos, durante a pandemia.

A partir da experiência de São Paulo, que determinou por lei que a merenda escolar será 100% orgânica, formou-se uma rede que estuda leis regulamentadas para propiciar o fornecimento de orgânicos. O “Escola mais Orgânica” está mapeando o Brasil.

O melhor exemplo vem do projeto Inova na Horta, em Jundiaí-SP, com uma horta  orgânica e PANCS para abastecer 109 escolas com 37 mil alunos e dois hospitais. Com a pandemia foram treinadas 1300 pessoas para organizar e distribuir kits com verduras orgânicas e  maços de PANC. A evolução dessa ação mostra o sucesso do projeto: em março foram distribuídos 750 kits e em julho, 17.100.

A coordenadora de Planejamento da Fundepar-Paraná, Andrea Bruginski, ressaltou como o estado do Paraná manteve a aquisição de orgânicos desde o começo da pandemia para atender 1 milhão de alunos, de 2.147 escolas sendo 19 colégios agrícolas, garantindo diversidade e o produto de época.

“Todo processo é eletrônico, transparente e cada escola sabe o que vai receber na semana. Em 2020, com distribuição quinzenal para as famílias durante a pandemia, já foram comprados 1 milhão de kg de alimentos, com 64 itens, de 63 fornecedores (associações ou cooperativas) que representam mais de 5 mil produtores, com investimento de R$ 6 milhões e que atendem quase 478 mil alunos. Tivemos um aditivo de R$ 34 milhões, por conta da Covid-19 para atender mais famílias em vulnerabilidade social”.

(Foto: Reprodução Youtube)

A Nutricionista Alda Alencar, de Irecê (BA), trouxe um exemplo que pode ser copiado em qualquer lugar do Brasil para introduzir orgânicos na merenda escolar com o grupo de agricultura familiar local, em especial o FLV. Os gargalos ainda são a variedade e a quantidade para atender a rede escolar.

“Os produtores se adaptaram para suprir as necessidades, inclusive com a logística de entrega direta nas 39 escolas. Faltam ajustes para ampliar o segmento para creches e o desafio de levar essa cultura de alimentos saudáveis e sustentáveis para os pais. Temos duas feiras de orgânicos e vemos que a população começou a consumir mais e precisamos levar mais conscientização. A entrega de alimentos começou para alunos de maior vulnerabilidade, mas desde maio todas as crianças receberam orgânicos. Em agosto, pela chamada pública, quase toda rede está sendo atendida exclusivamente pela agricultura familiar. Para 2021, com retorno das aulas presenciais, a estratégia é aumentar a variedade de orgânicos”, explicou Alda Alencar.

Nelson Krupinski, agricultor orgânico da COOTAP (RS), que tem 360 famílias organizadas e reconhecidas como um dos maiores produtores de arroz orgânico do país, falou sobre o atendimento aos alunos das escolas no sul. Por causa da pandemia, 90% dos contratos estão suspensos ou cancelados pelas prefeituras.

“Aqui no Rio Grande do Sul, a agricultura familiar não tem a mesma  força dos exemplos de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Bahia. Desafiamos o estado para comprar produtos orgânicos da agricultura familiar, confiando na organização e na segurança alimentar. É preciso ter uma mudança e comprometimento do estado com o agronegócio de impacto, no campo e na cidade. Depois da pandemia, é preciso unir nutricionista, poder público, instituições para fortalecer políticas públicas para os pequenos agricultores e mostrar as boas experiências e atender as crianças com boa alimentação”.

Durante esses meses da pandemia, a cooperativa reforçou o atendimento em feiras e outros canais de venda, chegando no consumidor final e investindo nas redes sociais para levar o arroz e frutas orgânicas a empórios, lojinhas e ao consumidor final.

“Quando estamos doente, precisamos de comida boa. As ações de compra de orgânicos devem voltar para ajudar na alimentação saudável e construir o “novo” com parcerias estratégicas para escolas, hospitais e toda população”, destacou Nelson Krupinski.