Chegou a hora da pesquisa e ensino da agroecologia para beneficiar os orgânicos

(Foto: Reprodução Youtube)

A Constituição garante o conhecimento no tripé entre ensino, pesquisa e extensão. Assim começou a live do Instituto Brasil Orgânico que discutiu a Construção do conhecimento orgânico que reuniu o Prof Sergio Pedini, da Federal Sul de Minas; o pesquisador da Embrapa Agroecologia, José Espínola; e Ana Simone Richter, agrônoma especializada em agricultura biológica-dinâmica.

Como construir métodos científicos e compartilhar o conhecimento da agricultura orgânica?

Ana Simone, que atuou 14 anos no Centro Paranaense de Agroecologia (CPA), referência em pesquisa e ensino, explica que a interação das equipes traz saberes que podem inovar em soluções para o agricultor. “Consumidores, neorurais e agricultores familiares começaram a procurar cursos e conhecimento no Paraná que engrandeceu muito a realidade da demanda. A Agroecologia conectou todas as áreas de conhecimento. Ninguém é dono da Agroecologia. Somos o palco de muitos atores. Isso é libertador! As pessoas são cocriadora desse momento de colocar na prática o fundamento circular da agroecologia”.

A mediadora do debate, Rachel Vaz Soraggi, fez uma provocação: como incluir orgânicos como matéria nos cursos de agronomia e agronegócio, saindo do sistema formal de ensino? Prof Pedini acredita que há muitas possibilidades de ensinar a agricultura orgânica: “Temos 22 cursos de 160 horas, na rede de 650 unidades federais e dois de graduação de agroecologia. É preciso ter mais, sair somente dos cursos técnicos para incluir a disciplina de agroecologia em todos os cursos de agronomia. O IBO tem as condições de cobrar a inclusão da disciplina agroecologia nos cursos formais”.

A Embrapa, nos últimos 30 anos, mudou o foco das pesquisas na construção do conhecimento orgânico e agroecológico. José Espínola explicou que as metodologias na Embrapa têm abordagem sistêmica para ter um olhar completo do sistema de produção. “No início da agricultura alternativa, com insumos biológicos, a pesquisa era mínima em processos ecológicos. Na década de 90, veio a necessidade de fazer campos experimentais de orgânicos, mas era um espaço muito longe da realidade do agricultor. A base agroecológica veio com uma determinação de formação de redes de pesquisa, com capilaridade, para pesquisas mais assertivas. Há cerca de 10 anos, houve a criação de gestão de projetos – portfólios – com diversificação de pesquisadores e de temas que se convergem para demandas do setor, como: avaliação de fertilizantes para orgânicos, adequação de material genético, insumos biológicos e geração de práticas. Falta a ponta do ensino e replicar os resultados das pesquisas”, explicou José Antonio Espínola.

Prof Pedini acredita que a chave para inserir pesquisa com conhecimento é conceituar o organismo agrícola, integrado, base dos orgânicos. “Temos especialistas incríveis, com publicações relevantes, que não levam em conta patógenos e fungos. Tem que mudar o paradigma da formação dos pesquisadores e integrar as áreas agrícolas”.

Há luz no fim do túnel? Para os debatedores, é o momento ideal de quebrar paradigmas. No momento que todos estão preocupados com o futuro, é importante saber como aproveitar essas novas condições das demandas de orgânicos, de sua importância na nutrição e segurança do alimento, do aumento do consumo e distribuição. Cobrar políticas públicas, ações do Estado e aumentar as iniciativas privadas.

Chegou a hora de fortalecer os orgânicos.