Chile anuncia oficialmente acordo de orgânicos com o Brasil

(Foto: Vera Moreira)

A Embaixada do Chile anunciou oficialmente, nesta terça-feira (07), a entrada em vigor o memorando de entendimento de paridade de orgânicos entre Brasil e Chile, durante evento fechado na Feira de Negócios em Supermercados, a APAS Show.

Inicialmente, o acordo irá abranger produtos de origem vegetal. Nas próximas etapas, serão incluídas outras áreas, como a pecuária, e políticas públicas que incentivam o fomento da produção orgânica.

Inédito na América Latina, a aliança começou a ser desenvolvida há seis anos em Brasília e, com a sanção, o Chile passa a reconhecer a certificação brasileira para importar orgânicos, com reciprocidade brasileira.

Atualmente, para uma empresa brasileira exportar orgânicos é necessário seguir os padrões de certificação nacional e vigente no país para qual irá vender. A lei brasileira ainda prevê que para um produto ser exportado a legislação do outro país deve ser igual.

“O Chile fez grandes mudanças na legislação para se adaptar a lei brasileira porque nós olhávamos o Brasil como exemplo, principalmente, na certificação de terceira parte, que a legislação brasileira contempla, e para nós incluirmos também no nosso sistema esse tipo de certificação”, explicou Maria José Campos Herrera, conselheira agrícola da embaixada do Chile com exclusividade ao ONB.

“Então o memorando de entendimento reconhece, entre os países, o sistema de certificação orgânica e o de controle. Isso significa que qualquer produto chileno que cumpra com a certificação do Chile cumpre a norma orgânica do Brasil e vice-versa”, pontuou.

Segundo a coordenadora de Produção Orgânica da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Virgínia Lira, as exportações brasileiras de orgânicos deverão aumentar, assim como o valor agregado à produção agropecuária.

Empresários brasileiros e chilenos estão otimistas com o acordo e a expansão de negócios. Para o diretor do Conselho Brasileiro de Produção Sustentável (Organis), Cobi Cruz, o memorando “é um marco para se começar grandes acordos”, já que a certificação ainda é um processo muito caro para o empresário que deseja exportar.

O gerente comercial da Native, Hélio da Silva, classificou a medida como excelente e ressaltou o impacto para o mercado nacional. “O Chile é um país sério e vai abrir uma frente para o Pacífico, para [o Brasil] exportar para toda a Europa, o Japão e a Ásia”, disse. “Quando entra um novo player [no mercado nacional] lançando orgânico, para nós é benéfico para sair da zona conforto e ter mais opções de orgânicos no supermercado para o consumidor”, pontuou.

Para Gabriel Bosch, diretor da empresa de vinhos chilenos Organic Fair Trade Vines, a aliança é uma solução para um dos grandes problemas do mercado orgânico mundial.

“Eu acho que o acordo será benéfico. Um dos principais desafios que nós enfrentamos são as legislações diferentes, o que aumenta o preço dos produtos para os empresários e para o consumidor. Então trabalhar para ter um acordo comum entre países é fundamental para os orgânicos”.

A Korin já está trabalhando para exportar. “Não existia um bom acordo pro Chile e apenas algumas empresas exportavam. Nós só estávamos esperando o acordo entrar em vigor, para começar. Já recebemos pedidos de quatro empresas chilenas interessadas em importar os nossos produtos”, disse Reginaldo Morikawa, CEO da empresa.

A aliança também beneficiará os pequenos e médios produtores. “O reconhecimento de terceira parte abre o mercado de exportação para os produtores de pequeno e médio porte, que ainda tem que custear os gastos com certificação, e será possível comercializar os seus produtos com o Chile”, conclui a conselheira agrícola da embaixada chilena.

Ouça a entrevista completa da editora do Organics News Brasil, Vera Moreira, com Maria José Campos Herrera: