Como o aumento do interesse por orgânicos afetou cada região

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O setor de orgânicos cresce rapidamente. “Há quatro anos, os orgânicos tinham uma realidade muito menor. Há três anos, nós crescemos 71%. Ano passado, crescemos 41%. E este ano, estamos vindo de um crescimento – antes da pandemia – de 50%. Este número seria maior ainda, mas não conseguimos atender mercado local”, disse Alex Lee, diretor da Fazenda Rio Bonito, durante painel na PMA Fresh Summit.

De acordo com Lee, nos últimos três anos, houve uma mudança de mentalidade do consumidor sobre sustentabilidade, inclusive por parte de empresas que têm substituído as suas embalagens. Entretanto, 95% dos consumidores ainda não valorizam a mudança nas embalagens, mas os outros 15% conseguem ser ativistas digitais e impõem essa demanda.

Durante o período da pandemia pelo Covid-19, as redes de supermercados, os orgânicos passaram a ter percentuais importantes de participação. Três redes importantes já representam mais de 7% do setor de Frutas, Legumes e Verduras (FLV). Atualmente, as bananas são as mais vendidas entre as frutas orgânicas.

“Há apenas três ou quatro redes no Brasil que fazem banana bem feita. Nas outras, praticamente, banana orgânica não existe. Uma desses grandes produtores de banana orgânica participa com 50% do faturamento”, disse Lee.

“A questão de orgânico tem aumentado, mas há uma necessidade de amadurecimento do setor. A gente calcula que o orgânico no setor supermercadista gira em torno de R$400 a R$500 milhões por ano como um todo”, analisou.

Em relação a pandemia, houve uma queda na venda de orgânicos num primeiro momento, mas as cestas orgânicas por delivery conquistaram bastante espaço e se tornaram uma forma de escoamento para os agricultores.

Apesar do crescimento, Alex Lee acredita que o setor de orgânicos não alcançará o mesmo patamar no Brasil que o visto em outros países, devido as condições financeiras da população. “Eu acho que a gente pode chegar a 7% a 8% do mercado nacional, no máximo, em função da nossa característica socioeconômica e em função da produção. Já que há produtos que nós não vamos conseguir produzir direito”, disse.

Lee ressaltou que o setor deve enfrentar grandes barreiras, como o preço, a falta de fiscalização das autoridades, e a falta de agricultores que tenham uma produção regular para suprir as demandas de empresas alimentícias.