Momento é oportunidade para consolidar orgânicos no Brasil

(Foto: Pixabay)

A busca crescente dos consumidores por alimentos saudáveis e sustentáveis, em meio a pandemia de Covid-19, é uma oportunidade para a cadeia de Frutas, Legumes e Verduras (FLV) orgânica se consolidar no Brasil no pós-crise. A análise foi apresentada por especialistas no setor, nesta quinta-feira (16), no PMA Talks. 

“O agronegócio virou sinônimo de saúde”, afirma o consultor e Prof. José Luiz Tejon.

“Quem consome alimentos saudáveis e orgânicos se beneficia. É uma grande oportunidade para o setor e o varejo se posicionarem e para quem depende das vendas para sobreviver”, analisa Enrico Milani, CEO da Vapza Alimentos.

Além de Milani, participaram do webinar o consultor e Prof. José Luiz Tejon, a Diretora Comercial da Zucca Cogumelos, Denise Abarckelli; o Diretor Comercial da Citrícola Lucato, Junior Lucato; e Francisco Homsi, CCO da Rede Oba.

As empresas registraram um aumento nas vendas desde o início da pandemia. A Citrícola Lucato teve picos de vendas das suas laranjas nas últimas semanas. De acordo com Lucato, por ser rica em Vitamina C que ajuda a manter a imunidade alta, a laranja foi muito procurada pelos consumidores, mesmo que não há comprovações científicas sobre o seu uso contra o Covid-19.

“No início [do isolamento] teve uma semana de muito aumento no consumo. De uma hora para outra, a empresa teve que se desdobrar para atender a demanda. O mercado se estabilizou na semana seguinte e na semana passada, houve outro aumento das vendas. O aumento do consumo existe, é latente e visível”, analisa.

A Zucca Cogumelos também registrou alta nas vendas, informou Abarckelli. Apesar dos cogumelos estarem sendo introduzidos na alimentação dos brasileiros aos poucos devido o crescimento do veganismo, o benefício a saúde é o principal fator que tem impulsionado o consumo desses alimentos.

“Temos muita oportunidade de mostrar como o FLV pode ser a farmácia do futuro. Somos o que comemos e queremos comer sempre melhor e mais natural. Independente das consequências da Covid-19, os hábitos vão mudar e em duas semanas houve mais conscientização que nos últimos dois anos”, diz Abarckelli.

O volume de vendas da linha de orgânicos da Vapza cresceu muito no último mês, em relação aos outros produtos, principalmente, no e-commerce da marca. 

Em contrapartida, o mercado de foodservice teve uma queda com a pandemia e deve continuar assim por um bom tempo. Milani avalia que o setor “vai levar muito tempo para se recuperar. Muitos bares e restaurantes devem fechar, mas muitos vão ter que se reinventar”, com os hábitos dos consumidores mudando. 

Para os especialistas, a pandemia é o início de uma nova era, em que as empresas terão que se adaptar a novas medidas de higiene e as mudanças nos hábitos de consumo dos brasileiros. O agronegócio precisa se reinventar rapidamente e garantir a segurança alimentar.

“Consumir por consumir vai deixar de ser moda e as pessoas vão buscar o que é essencial nas suas vidas”, diz o CEO da Vapza.

Desafios

Para o CCO da Rede Oba, Francisco Homsi, a cadeia FLV precisa encontrar soluções para dois grandes desafios: proporcionar a melhor experiência aos consumidores e melhorar o transporte de mercadorias. 

Ele argumenta que, com o crescimento das compras online, varejistas precisam encontrar formas para melhorar a experiência de compra em sites e aplicativos. Enquanto o consumidor pode experimentar alimentos e produtos nas lojas físicas antes de comprar, o online não proporciona a mesma experiência, por exemplo. 

O segundo desafio é fazer os alimentos chegarem às residências. Homsi afirma que as entregas de delivery nem sempre são cuidadosas, o que pode danificar a aparência e a qualidade dos alimentos. “Como transportar bem uma fruta? O que o consumidor recebe em casa não é o mesmo que ele leva para casa após o supermercado”, analisa.

O CCO destacou que os pequenos produtores terão um papel essencial para garantir o abastecimento em todo o país. “Não faz sentido eu mandar um caminhão com alimentos de São Paulo para Brasília, quando eu posso comprar de um produtor local e abastecer os supermercados”.

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