Embrapa cria nova semente de cenoura para cultivo orgânico

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(Foto: Pixabay)

Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) criaram a Cenoura BRS Paranoá, a primeira semente do mercado nacional desenvolvida exclusivamente para a produção orgânica.

O novo tipo de semente é mais resistente a doenças, como a queima-das-folhas, principal doença da cultura causada por bactérias e fungos. A tolerância a esses microorganismos ajuda o produtor a reduzir o uso de defensivos e, consequentemente, seu custo de produção.

Mesmo diante de temperatura elevada e excesso de chuvas, condições típicas do verão, as raízes atingem o tamanho comercial desejável no momento da colheita, sem destruição da área foliar. 

A cenoura BRS Paranoá tem a mesma cor, aspecto e tamanho das cenouras híbridas, o padrão comercial exigido pelo mercado consumidor.

A expectativa é que a lavoura seja mais produtiva e o potencial produtivo dobre em comparação a cenoura híbrida. Além de ter um menor custo para o produtor, que poderá aproveitar as sementes colhidas para o próximo plantio.

De acordo com a Embrapa, um sistema orgânico bem dimensionado pode superar o convencional em produtividade e qualidade ano após ano. Em ensaios de competição de cultivares, por exemplo, a BRS Paranoá teve rendimento médio superior às cultivares disponíveis no mercado: no sistema orgânico ultrapassou 31 toneladas por hectare.

A produção de cenoura orgânica ainda é minoritária no Brasil, com 20 mil hectares de plantação. Os principais polos produtores são: Cristalina (GO), Mauá da Serra (PR), Barbacena (MG), São Gotardo (MG), Caxias (RS) e Irecê (BA).

“O mercado orgânico é bem diversificado. Geralmente, os produtores cultivam inúmeras espécies de hortaliças para ofertar um mix aos consumidores e, sem dúvida, a cenoura é um item obrigatório nessa cesta”, pondera o agrônomo Francisco Vilela, pesquisador da área de Fitotecnia e Agricultura Orgânica da Embrapa Hortaliças.