Éramos radicais, hoje somos inovadores por ter acreditado na agricultura sustentável

(Foto: Reprodução Youtube)

A agroecologia e o movimento orgânico têm várias correntes, todas convergentes para a saúde e respeito ao solo, água, alimento e ao ciclo da natureza. Na série sobre as correntes dos orgânicos, promovida pelo Instituto Brasil Orgânico, Rogério Dias, presidente da entidade, recebeu Luiz Carlos Demattê Filho, diretor da Korin Agricultura e Meio Ambiente, para debater os “Sistemas orgânicos e suas correntes: agricultura natural”.

“A pandemia trouxe a preocupação de uma alimentação saudável e tempo para as pessoas estudarem. O que me motivou no passado, quando éramos chamados de radicais, motiva as pessoas por saúde e, hoje, somos inovadores por ter acreditado na natureza e na agricultura sustentável”, explicou Demattê.

Alinhado à igreja messiânica e à Fundação Motiki Okada, pioneiros na agricultura natural e defensores da alimentação orgânica. “A contribuição é gigantesca na prática orgânica, desde cultivar horta até no conceito do mundo ideal – o belo das manifestações artísticas, a agricultura natural nos princípios da natureza e a energia do sol, da lua e da Terra”.

De modo simples, na agricultura natural o alimento não nutri só o corpo, pois a perspectiva é holística: o produtor deve plantar e colher um alimento íntegro, que nutre o ser humano no todo, inclusive em pensamentos e ações pra proteção do solo, da água e todo sistema da agricultura, repleto de energia vital. “O sistema integrado permite a alegria da natureza. Acreditamos que a base da alimentação verdadeira e com nutrientes traz benefícios à saúde, evita doenças e impede a degradação ambiental. Não é só o preço na gôndola do supermercado que justifica o valor desse alimento natural. Na pandemia, essa diferença de preço não foi relevante em comparação com a melhora da saúde”, defende Demattê.

Rogério Dias lembrou que a agricultura orgânica natural e a saúde do solo estão diretamente ligado à integridade do alimento. Sem uso de agrotóxico, irrigado com água pura e respeitando os limites dos biomas. Mas, como lidar com a escada da produção?

“Em todos os sistemas de produção podemos usar os conceitos naturais, como os ambientes aquáticos. No caso da Korin, a produção de tilápias seguem as melhores técnicas com os conceitos de respeito animal, inclusive agradecemos aos animais servirem de alimento. Na agricultura, que altera qualquer ecossistema, devemos usar a tecnologia e os bioinsumos como perspectivas de melhorar a produtividade e causar o menor impacto possível ao meio ambiente. Conseguiremos fazer escala na produção, já há estudos publicados, mostrando que a agricultura orgânica é capaz de atender demanda mundial. Cabe aos países traçar processos adequados de manter o solo bem tratado e ter o melhor de sua agricultura natural”, defende Demattê.

A nossa sobrevivência no planeta depende do cuidado com a terra, com sabedoria e equilíbrio. No debate que o IBO promoveu, a lição é: acreditando ou não em questões de espiritualidade, todo o planeta precisa de alimentos saudáveis e seguros, água pura, solo íntegro e respeito à natureza.