Falta de tecnologia e certificação são desafios de produtores de orgânicos na África

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A agricultura orgânica na África ainda é modesta, mas há um interesse crescente por produtos orgânicos no continente, afirmou o Dr. David M. Amudavi, diretor executivo do Biovision Africa Trust, organização sem fins lucrativos no Quênia, durante painel na BioFach Nuremberg.

Amudavi defende que a implementação de pesquisas e de novas iniciativas é fundamental para expandir o cultivo orgânico, aumentar a produtividade, reduzir o custo de insumos, e mitigar as mudanças climáticas.

“Precisamos do tipo de esforço de pesquisa que fez a Revolução Verde acontecer. Não queremos ser ativistas – queremos apresentar as evidências da pesquisa, o argumento econômico para os orgânicos. Se o caso for forte e apoiado por pesquisas, somos menos vulneráveis a críticas. Precisamos ir além da pergunta que os formuladores de políticas costumam fazer: ‘os alimentos orgânicos podem alimentar o continente?’”, disse.

Certificação

Outro obstáculo para os produtores é a certificação das terras cultiváveis. Os agricultores que não conseguem o certificado são impedidos de exportar pelo custo alto, corrupção, pouco apoio do governo e burocracia.

Mais da metade dos africanos são pequenos agricultores e a agricultura é um pilar central das economias dos países em todo o continente. Segundo especialistas, as colheitas estão cada vez mais ameaçadas por condições climáticas extremas, como erosão do solo e desertificação. Por isso, as decisões agrícolas de hoje desempenharão um papel fundamental na segurança alimentar do continente nos próximos anos.

“Os métodos convencionais têm consumido terras aráveis e a tornam estéril. Se desperdiçarmos terra agora, os alimentos serão muito caros no futuro e teremos mais pessoas lutando por pouquíssimos recursos”, disse o agricultor Ara Nashera, do Quênia.

Atualmente, há cerca de 789 mil produtores e a área de cultivo de orgânicos totaliza cerca de 2,1 milhões de hectares, número que dobrou na última década, segundo o Instituto de Pesquisa de Agricultura Orgânica (FiBL).

Tunísia, Tanzânia, Uganda, Etiópia e Quênia são os cinco países com a maior quantidade de agricultura orgânica. As azeitonas dominam a produção orgânica na Tunísia. No Quênia, nozes e cocos. A Etiópia e a Tanzânia são grandes cafeicultores. Enquanto Uganda é considerada o lar dos produtores mais orgânicos da África e o cultivo de cacau predomina o setor do país.