Movimento orgânico lança entidade nacional para o setor

(Foto: Pixabay)

O movimento orgânico no Brasil continua a crescer mesmo em um cenário de crise econômica. Cerca de 19% dos brasileiros consomem um produto orgânico por mês e somente no ano passado, o mercado faturou R$ 4 bilhões, resultado 20% superior ao registrado em 2017, segundo o Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis).

Representantes do movimento lançam, nesta quinta-feira (03), o Instituto Brasil Orgânico, uma entidade nacional que atuará na fomentação de políticas públicas, na consolidação de informações e na formação de grupos de trabalho para estudos técnicos. Além de estimular a agricultura orgânica e trabalhar para tornar os orgânicos mais acessíveis.

“Faz décadas que o movimento orgânico tenta montar uma associação nacional que o represente. Estatísticas confiáveis da produção orgânica praticamente inexistem, queremos reunir dados realistas e divulgá-los”, explica José Pedro Santiago, engenheiro agrônomo e um dos idealizadores do movimento, ao ONB.

“Inicialmente [o foco é], advocacy, o esclarecimento sobre os benefícios dos orgânicos e discussão sobre medidas que impactam negativamente a saúde das pessoas e do meio ambiente (principalmente sobre agrotóxicos, Cerrado e Amazônia). Queremos ser positivos e propositivos”, complementou.

Para Santiago, o principal desafio do setor é a acessibilidade. Ainda é necessária “muita pesquisa para incrementar a produção e a produtividade” para tornar os orgânicos mais acessíveis e com um preço competitivo. 

O Conselho da entidade é composto pelo ex-coordenador de agricultura orgânica do Ministério da Agricultura, Rogério Dias; Marcelo Laurino, engenheiro agrônomo e secretário executivo da Comissão da Produção Orgânica do Estado de São Paulo; Romeu Leite, líder na Vila Yamaguishi Orgânicos; Fábio Ramos, presidente da Agrosuisse; Alexandre Harkaly, Diretor Executivo do IBD Certificações e fundador-membro da ABD – Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica do Brasil; Joe Valle, produtor orgânico na Fazenda Malunga; o ator e produtor orgânico Marcos Palmeira e a culinarista e apresentadora Bela Gil.

Podem participar pessoas físicas e jurídicas que concordam com os seus propósitos. Haverá dois tipos de associados: Mantenedor, que contribui financeiramente para o Instituto, e o Colaborador, que colabora com o Instituto na forma de trabalhos, sem a obrigação de contribuir financeiramente, embora possa fazê-lo também. As taxas variam entre R$ 50 e R$ 1 mil por mês.