Vendas de orgânicos bate recorde no Reino Unido, mas Brexit ameaça setor

(Foto: Freepik)

Com um crescimento contínuo nos últimos sete anos, as vendas de alimentos e bebidas orgânicos aumentaram 4% no Reino Unido, aponta dados preliminares do relatório anual da Soil Association, em parceria com outras agências.

Os hortifrútis e os lácteos foram os principais impulsionadores do mercado nacional, que passa a valer £ 2,2 bilhões, índice recorde.

As vendas de frutas e verduras cresceram 5,3%, enquanto os laticínios tiveram um aumento de 3,5%. Ambos os faturamentos superaram a comercialização dos alimentos convencionais nessas categorias.

Produtos vegetarianos e vegetais congelados também tiveram um crescimento de 27,8%, em relação ao mesmo período do ano anterior, e as vendas de cervejas, vinhos e destilados aumentaram 8,7%.

A Soil Association, que certifica mais de 70% de todos os produtos orgânicos vendidos no Reino Unido, aprovou mais de 3 mil novos produtos e produtores no ano passado.

Brexit ameaça setor

O governo do Reino Unido divulgou um conjunto de notificações técnicas dos possíveis cenários sobre a regulamentação da produção de alimentos orgânicos, rotulagem, importações e exportações após a saída da União Europeia, que acontecerá em maio de 2019.

Segundo o documento, caso um acordo não seja firmado entre ambos, os produtores britânicos que exportam orgânicos para a Europa, Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul poderão ser proibidos de exportar por, no mínimo, nove meses, pós-Brexit.

Na Europa, apenas orgânicos certificados podem ser comercializados se tiverem a autorização de um órgão de controle aprovado pela União Europeia. Com a saída do Reino Unido, as certificadoras britânicas deverão se candidatar à Comissão Europeia para receber a autorização. Entretanto, os órgãos de controle não poderão fazer essa solicitação até o Brexit. A aprovação de um certificado pode levar até nove meses.

Atualmente, a União Europeia gera 3 bilhões de libras por ano em subsídios para os agricultores britânicos.