Mudando nosso relacionamento com a comida

(Foto: nensuria/ Freepik)

** Vivaldo José Breternitz

Nestes tempos em que a pandemia, aliada a conflitos armados, secas, inundações, pragas e crises econômicas podem deixar cerca de 265 milhões de pessoas sujeitas à fome, vale a pena refletirmos sobre nosso relacionamento com a comida, especialmente em termos de desperdícios.

Arriscamo-nos a dizer que perdemos o respeito pela comida. Basta ver os números: um terço de toda a comida que se produz é desperdiçada; são cerca de 51 toneladas por segundo!

Há várias razões para que isso aconteça, dentre elas preços baixos, que fazem a colheita não valer a pena, deficiências em estruturas de armazenamento e distribuição e, talvez principalmente, o fato de parcela significativa da sociedade, há bastante tempo, poder comprar muita comida a preços baixos.

Essa parcela pode ir a supermercados e comprar quanta comida quiser, inclusive, no caso brasileiro, tomates italianos, queijos franceses, chocolates belgas, cafés suíços etc. – para muitos de nós, é simplesmente uma compra, sequer se encara isso como luxo.

Como podemos comprar quase tudo o que queremos, na quantidade que queremos, acabamos não dando valor à comida, perdemos o respeito por ela.

A pandemia pode não nos colocar entre os 265 milhões sujeitos à fome, mas pode tornar nosso acesso à comida mais difícil, ou ao menos, mais caro.

Talvez a pandemia acabe nos conscientizando acerca da necessidade de refletirmos sobre o assunto, e quem sabe, acabemos por mudar nossa postura, voltando a dar valor à comida.

** Vivaldo José Breternitz é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.


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