Os avanços em controle biológico

controle biológico
(Foto: Pixabay)

** Por Eduardo Guimarães

É assustadora a quantidade e a velocidade na liberação de agrotóxicos ocorrida pelo Brasil, no ano de 2019. Fato esse, que movimentou o país para o risco à segurança alimentar e ao meio ambiente. Em paralelo a essa situação o que se tem é um país com o maior crescimento no mercado de bioagentes, segundo a empresa de consultoria Dunhan Trimmer.

Líder no uso de controle biológico, o Brasil é também exportador de tecnologias e técnicas de avaliação e quantificação de parasitóides para outros países.

O controle biológico é parte do chamado Manejo Integrado de Pragas (MIP) e é usado para combater pragas e doenças provocadas por insetos, vermes, fungos e outros agentes nocivos para a agricultura. Existem dois tipos de controle, um deles é os que consistem no uso de macroorganismos, como insetos, ácaros e outros inimigos naturais das pragas. Já os microbiológicos, se baseiam em bactérias, fungos e vírus.

O uso de fungos, bactérias, vírus e parasitóides nas lavouras são cada vez mais usuais. A eficiência e os bons resultados nos controles das pragas e doenças já comprovados, é o que movimenta um mercado aquecido e com crescimento expressivo ano após ano.

Pragas como a lagarta do cartucho, traça do tomateiro, broca da cana de açúcar, lagarta da soja entre outras, que representam grandes prejuízos às lavouras, estão na lista de bons resultados com uso de controle biológico.

É crescente o número de registro de defensivos agrícolas biológicos e orgânicos no Brasil segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Só em 2019, foram 24 novos registros. Segundo a última atualização do MAPA existem registrados 232 produtos comerciais à base de ativos biológicos, utilizados em práticas de controle biológico. Esses produtos são, majoritariamente, bioinseticidas, biofungicidas e parasitoides (insetos que parasitam outros organismos).

Até junho de 2019 os produtos biológicos de controle registrados no Brasil estavam divididos da seguinte forma: 154 bioinseticidas, 31 biofungicidas, 24 bionematicida, 22 bioacaricidas, 19 armadilhas biológicas e 2 reguladores de crescimento.

A lista de empresas ligadas a produção e distribuição de controle biológico também vem aumentando. Atualmente, associadas à Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABC Bio), são 23 empresas. Entre elas, aparecem algumas como a Bayer e BASF, um sinal de que até os grandes players do mercado de defensivos convencionais estão aderindo ao uso de tecnologias eficientes.

Segundo dados apresentados no 16º Simpósio de Controle Biológico (Sincobiol), o mercado de controle biológico cresce na ordem de 10% a 15% ao ano no mundo e em ritmo ainda mais acelerado no Brasil. Globalmente, saltará de US$3 bilhões em 2019 para a US$5 bilhões nos próximos anos.

Fica claro que, com as novas demandas que recaem sobre a agricultura moderna quanto ao compromisso com o meio ambiente e a segurança alimentar do consumidor, o controle biológico será o meio de avanço para o novo modelo.

  • Por Eduardo Guimarães – consultor técnico da Agrosuisse
  • ** Esse artigo foi originalmente publicado pelo Instituto Brasil Orgânico em julho 2020

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