AgTech Garage é o hub de startups do agronegócio

(Foto: Reprodução/ Flickr Agtech Garage)

Agrotechs são startups com soluções para a cadeia do agronegócio, com as tecnologias mais disruptivas da área são automação de tratores, drones, biotecnologia, big data, nanotecnologia e IoT.

O ONB foi até Piracicaba, o polo de inovação do agronegócio, conhecer a AgTech Garage, um hub de startups e de fomento de desenvolvimento de projetos no setor.

O fundador da AgTech Garage, José Tomé, é um jovem empreendedor, que com um olhar absolutamente inovador, consegue aglomerar startups, aceleradoras, investidores e academia num ecossistema de soluções para o agronegócio.

No espaço de coworking, Tomé recebeu o ONB e o papo não podia ser melhor:

A AgTech Garage tem várias ferramentas integradas para o agronegócio. Qual a proposta da iniciativa?

Tomé: O conceito da AgTech Garage nasceu de um artigo da Universidade de Harvard sobre as garagens corporativas. Nós acreditamos que a nossa capacidade de inovar é inerentemente e independente da organização principal e, também, cada vez mais esse surgimento de hubs e essa necessidade de se desconectar da empresa principal, conquistando a liberdade para fazer novas coisas acontecerem. Então somando isso, essa necessidade de ter diferentes perfis e de diferentes disciplinas, os desafios são cada vez maiores: encontrar soluções simples para desafios complexos. As empresas estão buscando colaboração, abertura e as startups têm um papel grande nisso.

Se a gente ver a forma como nós fazíamos inovação aberta, por exemplo, em 2011 é totalmente diferente da forma que fazemos hoje. As startups estão sendo um pivô para isso, em agilidade, em alguns elementos de propensão a risco, inovação, velocidade e engajamento de time, que é difícil replicar em uma organização grande. Então as startups têm esse papel.

A AgTech Garage nasce desse contexto de mudança acelerada para facilitar para grandes empresas inovarem junto com as startups. Nós somos um grande hub de inteligência e conexão, desde para as empresas que querem dar o primeiro passo, entender esse ecossistema de uma forma bem consistente, e a medida que as coisas vão evoluindo, criamos um programa específico de aceleração, de investimentos, se esse for o caso da empresa.

 Como funciona a conexão entre a indústria e as startups? Quem procura quem?

Tomé: Os dois lados têm muito interesse e não é simples como pode parecer. Então, fazemos essa conexão. Hoje temos empresas que chegam aqui procurando fazer conexões com startups em um determinado ecossistema e startups que querem se conectar com diferentes players. O papel do AgTech Garage é facilitar e fazer com que essa conexão aconteça.

Existe uma pesquisa feita nos Estados Unidos, em 2017, que nós terminamos de replicar para as startups do agro brasileiro. Eles entrevistaram 400 startups, entrevistamos 186. Era uma pergunta simples: quantas startups têm interesse em ter relação com grandes empresas. Deu 98%. Quantas procuraram ativamente? Esse número reduz para cerca de 80%. E quantas efetivamente conseguiram uma parceria? Cerca de 51%.

Existe a necessidade de as startups fazerem essa busca no agro, principalmente, porque o agro tem o desafio de distribuição e de penetração grande. As empresas têm isso. Então essa conexão pode ser muito rica entre empresas e startups.

Quais são as áreas que têm mais desafios dentro do agronegócio e que procuram mais startups? E o que as empresas estão buscando?

Tomé: O agro tem diferentes mundos e dentro desses mundos tem o pequeno, médio e grande agricultor. Além de toda a cadeia. Hoje, nós conversamos com desde revenda, que procura para entender como se conectar com as startups, que tipo de solução eu posso agregar valor para a startups como, também, reinventar o negócio. Então desde produtor que está procurando diretamente as startups e revenda de grandes empresas.

Na verdade, os desafios são oportunidades em todas as áreas, como colocar monitoramento via satélite, que consegue identificar que tipo de cultura está sendo plantado em qualquer região do mundo. A ideia dos desafios é sempre a mesma: aumentar a produção com baixo custo e como fazer isso usando a tecnologia.

(Foto: Reprodução/ Sillicon Valley)

Tem algum recorte que vocês estão estudando na área de orgânicos ou produtos naturais, que não usam defensivos agrícolas e que estão nessa pegada de sustentabilidade?

Tomé: Esse é um movimento que está crescendo bastante, inclusive nós temos uma empresa aqui de um rapaz que veio da Gênica, uma startup de defensivo biológico. É um mercado que está crescendo e tem tecnologias que ajudam na produção de orgânicos, como uma aplicação mais precisa do defensivo de agente biológico. Têm pessoas fazendo isso com drone.

Recentemente o pessoal da AgriBela criou uma cápsula para liberar esses agentes, que também tem a possiblidade de fazer isso com drone, que abre mais espaço até para colocar outras coisas junto com a cápsula, como feromônios.

Se a gente comparar com os Estados Unidos em questão de ferramentas e tecnologias digitais, o Brasil não está muito atrás, tem muita coisa bacana acontecendo aqui. Mas na parte de biotech, eles estão mais avançados. Em biotech, temos visto pouca coisa. O uso de aplicação de tecnologias digitais para fomentar o orgânico tem acontecido e isso facilita para que o orgânico vá para uma escala maior do que as escalas que eles tinham até então.

Nós percebemos no Thinking Green, dentro da Bio Brazil Fair, que realmente existe o interesse do produtor e do fabricante do orgânico conhecer esse mundo de agrotech e a pegada ecológica. Há caminhos que dá para se conectarem?

Tomé: Tem sim soluções que usam tecnologia com apelo socioambiental, como plataformas que conseguem gerar uma ponte, de levar para o campo a história de quem está produzindo e fazer essa conexão de quem produz com quem consome. Tem uma pegada de empoderar o pequeno produtor usando a tecnologia.

De fato, há algumas tecnologias que as pessoas conseguem escalar mais rápido, indo para o B2B e grandes produções. Tem pessoas olhando para o lado socioambiental que a tecnologia pode trazer e isso está muito conectado com o orgânico.

Quantas empresas e startups estão na AgTech Garage?

Tomé: A Garage, pra fazer o que ela faz, nós precisamos ir além de Piracicaba, então hoje a gente se relaciona com startups do Brasil inteiro. Se eu for fazer a conexão de uma startup com a John Deere, eu preciso olhar o país inteiro, estamos olhando Argentina e daqui a pouco vamos estar de uma forma muito mais ampla. Hoje, nós nos relacionamos com umas 300 startups, já com uma curadoria.

Piracicaba deve ter em torno de 70 a 80 empresas e mais do que as empresas, tem as startups, hubs. Por exemplo, aqui no coworking, temos startups, empresas, como a Totvs, porque elas  perceberam que esse modelo tem sentido também para as empresas do ponto de vista de estarem se conectando.

Temos uma densidade de empresas que trabalham inovação para o agro, seja uma grande empresa, uma média consultoria, especialistas e startups. Hoje, nessa nova dinâmica da inovação, a nossa capacidade de inovar, é diretamente ligada à nossa capacidade de nos conectar. Se você não está se conectando, você não vai inovar.

Outro dia, veio um cara aqui que estava desenvolvendo um projeto e queria apresentar para a Esalq. Nós tentamos alguns contatos, falar com o vice-diretor da Esalq e a agenda estava complicada. Ele estava aqui no coworking em um lançamento de um livro, à noite, e a gente conseguiu reunir eles aqui.

Então é isso, a densidade é importante porque você não precisa esperar um mês para falar com fulano ou você nem mesmo queria falar com algum fulano, encontrou com ele, começou a conversar e veio um insight. O que é chamado de serie indeed zone, é o momento eureca para os negócios.

A AgTech Garage está tabulando as informações para o 2º Censo de agrotechs do Brasil. Quer saber mais sobre a AgTech Garage ou baixar os resultados do primeiro censo? Entra no site https://www.agtechgarage.com/