Amapá investe em orgânicos

Amapá abre oportunidades de investimento com Zona Franca Verde

O estado do Amapá abre frentes de áreas para produção orgânica, como estratégia para gerar renda e fortalecer a vocação para o agronegócio. O SEBRAE Amapá desenvolve ações de empreendedorismo e defende que o mercado valorize a “floresta em pé”.

Entrevistamos o diretor superintendente do Sebrae Amapá, João Carlos Alvarenga, durante a Green Rio.

(Foto: John Pacheco/G1)
(Foto: John Pacheco/G1)

O Amapá tem 11% só do seu território de área produtiva, o restante é floresta, o senhor fez uma reflexão na Green Rio extremamente importante sobre a valorização desse patrimônio. Quanto custa a floresta em pé?

O custo é alto e quem paga é quem mora na Amazônia. A Amazônia representa hoje mais de 60% do território nacional, tem entorno de 26 milhões de habitantes e nós somos cobrados pela preservação, e eu concordo que nós temos que preservar, mas para preservar tem um custo e esse custo quem paga hoje é o amazônico, aquela pessoa que mora lá, que não tem saúde, que não tem segurança, que não tem educação, que não tem transporte. O mundo todo teve floresta, teve rios, teve seus índios e fizeram o que com eles? Exterminaram. E hoje, nós estamos pagando esse preço.

Mas o sul, como a Europa, tem transporte, tem segurança, tem saúde, tem todo o conforto que nós queremos, que todos nós gostamos, mas para nós o custo é muito alto, nós estamos pagando, somos cobrados. Então eu digo: acho que preservar é importante, mas alguém tem que ajudar a Amazônia a pagar esse custo.

Tem que entender que nós temos que preservar, mas todos nós do Brasil e do mundo tem que dar a nossa contribuição.

Como é que o Amapá está se estruturando para fazer um desenvolvimento sustentável, deixando a floresta em pé, mas também gerando renda para os seus habitantes?

Hoje, nós temos no Amapá mais de 140 mil m² de território, com uma população em torno de 800 mil, mas temos lá apenas 11% do estado com área produtiva, o restante do estado tem: reservas de conservação, reservas indígenas, o Parque de Tucumaque – que foi um parque criado no governo Fernando Henrique, que atendeu as exigências internacionais, mas não houve uma consulta e esse parque não ta dando resultado econômico que precisava dar para justificar a criação desse parque e resultado econômico em benefício da população.

Claro que nós hoje temos alguns benefícios: nós não tínhamos energia há poucos anos atrás, hoje foram construídas três hidrelétricas, integrados ao sistema nacional de energia. Mas nós precisamos muito mais para que possamos realmente dar essa resposta de conservação da nossa floresta. Não só da floresta, mas de todo o meio ambiente. Quando a gente pensa em meio ambiente, pensa muito em floresta, mas tem rios, tem tantas coisas, que precisa preservar.

Há uma zona de exportação ainda não é explorada pela indústria, então os olhos podem se voltar para essa oportunidade. Como o Amapá poderá se destacar nesse cenário?

Até pela situação geográfica do Amapá, estamos hoje a poucos quilômetros da saída para o Atlântico. É o estado mais próximo da Europa, mais próximo do hemisfério Norte. Por quê? Porque o trecho ali é pequeno, toda a distância que tem do sul pra atingir a Europa, nós já estamos no meio do caminho. Então a situação geográfica é importante. Já foi criada e aprovada uma Zona Franca Verde, diferente da Zona Franca de Manaus, porque nos produtos que serão industrializados no Amapá, obrigatoriamente terão que ter algum ingrediente regional.

Há uma ZPE (Zona de Processamento para Exportação) também aprovada, que só falta ser instalada. Com tudo isso aprovado, com todos os benefícios fiscais, que tem na Zona Franca, e com a nossa situação geográfica do Amapá são grandes atrativos.

Temos energia para quem quiser se instalar no estado e quem quer produzir.

O setor de orgânicos e produtos sustentáveis é uma saída viável?

É buscar na floresta, para trabalhar produtos não madeiráveis, a floresta fica em pé, fica produzindo. Agora é importante falar também, que as árvores também têm tempo de vida. Então tem um ponto que ela tem que ser derrubada, para que tudo isso aconteça, precisamos do inventário da floresta e esse inventário, essa certificação/regularização é muito caro também. Nós também somos pobres, não temos como investir, então precisamos de apoio externo.

Nesse momento, nesse projeto é fantástico porque não derruba árvore nenhuma e tem um resultado fantástico

Qual a perspectiva pro Amapá para os próximos dois anos para o desenvolvimento de pequenas e médias empresas, para o empreendedorismo individual?

Olha, o nosso Brasil ainda passa por uma situação muito grave em nível nacional e o Amapá ainda é um estado muito dependente dos recursos da União. Então a nossa produção é muito pequena. Hoje, o Amapá importa mais de 90% do que consome, então precisamos reverter, temos que buscar algo que retenha recursos no estado, buscar produção, superar essa crise toda, crise no estado também que está acontecendo e esse reflexo nacional, reflete lá.

O próximo ano é um ano de muita dificuldade, mas como a gente sabe o Sebrae trabalha muito na dificuldade, busca soluções e resultados, então a gente espera e busca uma solução para tudo isso.