Entrevista com Amarjit Sahota, presidente do Ecovia Intelligence

(Foto: Luciana Almeida)

O mercado global de produtos orgânicos deverá crescer 3,5% em 2017, em relação ao ano passado, segundo estimativa da Ecovia Intelligence.

Segundo o levantamento, o mercado de alimentos orgânicos no mundo cresceu 38% entre 2010-15, fechando com um valor de, aproximadamente, US$ 82 bilhões em 2015. Europa e América do Norte representam juntas 92% do setor, com destaque para Estados Unidos, Alemanha, França e Canadá.

Quatro fatores impulsionam o consumo de orgânicos, de acordo com entidade, a preocupação com a saúde, segurança alimentar, o aumento da distribuição de alimentos e a falta de agrotóxicos em sua composição.

O Organics News Brasil entrevistou o presidente do Ecovia Intelligence, Amarjit Sahota, sobre a perspectiva do setor de orgânico no mundo e como isso pode afetar o mercado brasileiro.

1) Diversas pesquisas mostraram que os consumidores estão mais conscientes sobre as suas perguntas. Qual a perspectiva internacional?

R: Os consumidores estão se tornando mais e mais conscientes das substâncias químicas na comida, nos cosméticos e produtos de limpeza. Nós estamos vivendo em uma era digital em que todos têm um celular ou um dispositivo móvel no qual ele recebe informação constante. A consciência sobre químicos sintéticos irá aumentar e isso irá se manifestar com o aumentoda demanda por alimentos orgânicos, cosméticos naturais, produtos de limpeza naturais. Então seja no Brasil, nos Estados Unidos, na Índia ou na China, nós estamos vendo a mesma tendência acontecendo.

2) O Brasil não tem acordos bilaterais com outros países, o mercado é mais interno. Como nós podemos estabelecer estes acordos e qual será o impacto na economia brasileira?

R: O Brasil está realmente perdendo o comércio global de produtos orgânicos. Como eu mostrei, o mercado global vale quase US$ 82 bilhões. Países como a Índia e a China, até mesmo o Chile, estão um pouco na frente do Brasil porque eles têm acordos comerciais com a União Europeia (UE), os Estados Unidos, entre outros. Então é muito fácil para eles venderem os seus produtos nesses grandes mercados. espero que o Brasil receba reconhecimento dos EUA e da UE, porque eles estão perdendo uma grande oportunidade de exportação no mercado de orgânicos.

3) É possível implantar no Brasil o que está acontecendo na Europa e nos Estados Unidos? 

R: Sim. Tudo o que o mercado brasileiro precisa é ter o reconhecimento como tem nos Estados Unidos e na Europa, e isso irá abrir o mercado para as exportações em outros países. Então é possível que o governo brasileiro naturalmente entre em acordos com resoluções positivas para o setor.

4) Nessa perspectiva, o Brasil ficando mais forte no mercado global, a América Latina pode usar isso para impulsionar o seu mercado e crescer?

R: Sim. Em alguns casos, isso já está acontecendo. O Chile tem acordos a Argentina está exportando para o resto do mundo. Eu acho que o principal problema do Brasil é que, apesar de ter um mercado nacional e tem bastante produção orgânica, mas [o país] não está acessando o mercado internacional como deveria. Eu acho que tem muita oportunidade para o Brasil, por causa dos seus alimentos convencionais por ser um dos maiores exportadores de carne, soja, feijão e outros grãos, mas em relação aos orgânicos, a falta de …está fazendo perder o mercado global.

5) Você mencionou que o consumidor não deseja várias marcas e no Brasil, existem várias que estão crescendo. Qual o seu conselho para elas se unirem de uma forma saudável?

R: No Brasil, existe um grande mercado de consumidores, cerca de 200 milhões, e tem uma grande oportunidade aqui. Eu acredito que é uma questão de criar consciência. Organizações como o Organis têm feito um ótimo trabalho como uma plataforma para a indústria de orgânicos e disseminando informações sobre os alimentos orgânicos e ajudando os pequenos produtores a crescer. Então o caminho é que as organizações promovem os alimentos orgânicos para os consumidores e que o governo incentive e financie o setor.

6) O e-commerce está crescendo. Qual o seu conselho para pessoas que desejam abrir um negócio online de orgânicos?

R: Eu acho que o e-commerce é uma grande oportunidade para todos os produtos e para os orgânicos, é um ótimo meio para os pequenos produtores terem acesso ao mercado, já que eles não têm os recursos necessários para colocar os produtos no varejo ou entrar em acordos com lojas varejistas.

O online lhes dá acesso a uma plataforma e além disso, os consumidores estão mais sedentos por informação, procurando por produtos, marcas e querem evitar substâncias químicas. Então para eles é mais fácil procurar online por varejistas que vendam os seus produtos ao invés de ir em mercados de produtos saudáveis ou orgânicos. Então tem muita oportunidade agora.