Cresce consumo de cosméticos orgânicos de ingredientes amazônicos

(Foto: Ricardo Muza)

O empreendedorismo é o que move boa parte da economia mundial. No Brasil, não é diferente. Um bom exemplo é o crescimento do setor de cosméticos, com faturamento de R$ 101,7 bi em 2014, segundo dados da Associação Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC). A indústria brasileira de cosméticos tem papel fundamental na economia brasileira e já representa mais de 1,8% do PIB nacional. O Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de cosméticos e produtos ligados à beleza.

O empresário amazonense Francisco Pontes Aguiar, proprietário da Amazongreen Cosméticos, está otimista com a comercialização de suas linhas de produtos, com ingredientes amazônicos e um apelo de sustentabilidade que agrega valor à qualidade de seu produto.

Durante a Green Rio, evento de negócios do setor de orgânicos que aconteceu em maio no Rio de Janeiro, o Organics News Brasil conversou com o empreendedor que recebe apoio do SEBRAE e sonha em ser um dos grandes players do setor. São 15 anos entre a pesquisa e o desenvolvimento dos produtos, mas a marca só foi lançada no mercado em 2007.

1 – Como o apelo sustentável do bioma amazônico ajuda no valor agregado de seus produtos?

R: Temos a linha Amazongreen com mais de 100 itens, e mais ou menos 200 que foram desenvolvidos numa linha completa. Temos o nicho da marca Spagreen e começamos o desenvolvimento de produtos Guaranagreen. Temos uma embalagem diferente, feita com folhas caídas naturalmente da floresta, que ajuda a identificar visualmente o conceito amazônico e sustentável.

É a ideia de conceito amazônico mesmo e não um apelo de marketing. Desde o começo do desenvolvimento deste produto, eu sempre fui muito inquieto com essa questão de colocar o produto da Amazônia como uma coisa mais caseira, mas muito regional. Eu sempre achei que poderia dar voos maiores, de forma profissional, sem perder a essência, claro, usando ingredientes muito bons que nós temos na Amazônia, não é só dizer “Ah tem ingredientes bons…”, não! Nós temos ingredientes maravilhosos, como a manteiga de cupuaçu, a manteiga de ucuubá, os óleos de pataua, de pracaxi e vários outros.

ucuubá
Semente de Ucuubá

2-  E esses óleos são valorizados pela indústria da beleza e pelos consumidores…

R: Só dando um exemplo, a manteiga de cupuaçu, se fizer uma analogia com a manteiga de carité, tem 440% a mais de hidratação, ou seja, a molécula absorve 440% de água na molécula. Então só isso ai, você que a gente tem um produto fantástico para pele, para cabelo e para várias aplicações.

3- Agora esse desenvolvimento é feito com profissionais internacionais, tudo bem estudado, para desmistificar que o produto amazônico é coisa de índio?

R: Sim, mas ai esse trabalho que eu venho fazendo de anos e anos, às vezes nós passamos cinco anos apenas desenvolvendo um determinado produto, como um creme mulateiro, para que pudesse atender aquilo que a pessoa quer quando usa um cosmético: é sensorial bom e com resultado eficaz.

No caso da perfumaria, eu uso o Jean Luc Morineau – um dos melhores perfumistas do mundo que está entre os 10 melhores do mundo; o Marcos Vinicius Fortunato, diretor técnico, entende tudo de cosmetologia, é uma cara craque do pólo de Diadema. Então eu venho trabalhando essas questões de desenvolvimento de produto de forma grande e profissional para não deixar a desejar [em relação] a nenhum outra empresa que tem no mercado.

4- Além da qualidade do produto, você desenvolveu embalagens com folhas amazônicas que chamam muito a atenção. Faz parte do conceito sustentável ou é uma estratégia de marketing?

R: São folhas de Cupuaçu, cacau, morototó, cajurú, ingá. É feita uma poda na árvore normal, de forma sustentável, as folhas maduras – aquelas que já vão cair , pega esse produto, processa lá nas comunidades onde eu ensino como faz, depois a gente compra a produção deles e ai dentro da fábrica, a gente faz a embalagem.

5- Qual é a diferença do seu cliente nacional e o internacional quando ele vê uma embalagem diferente e produtos com ingredientes de nomes tão exóticos?

R: Primeiro ele testa o produto, vê a embalagem, porque isso no exterior tem um valor agregado imenso. Primeiro vem o espanto, depois vem sentir o sensorial, ai olha e é maravilhoso. Mas o que mais me dá força pra continuar com isso ai quando um cliente volta na outra feira e diz “olha, tem esse daqui ainda?”, e ele guarda a embalagem, isso ai é fantástico! Logo nas primeiras horas da Green Rio, chegou uma cliente com a embalagem de shampoo que ela comprou o ano passado, e foi logo dizendo: “olha eu quero um desse aqui”.

6- Quais as comunidades que a sua marca está envolvida?

R: É praticamente com a Amazônia inteira. Claro que muitas comunidades são longes umas das outras, mas eu tenho em: São Sebastião da Tomã, Urucurituba, Alter do Chão no Pará, Marajó – da onde eu trago as folhinhas de Ajuru – e Medicilândia.

 7- Onde encontra o seu produto no Sudeste?

R: No Nordeste, já tem uma loja em Natal que vende o nosso produto. No sudeste, nós estamos buscando novos parceiros para colocar isso no mercado, de forma organizada, certa e com capacidade de distribuição. Eu tenho lá na Amazônia a logística mais difícil, então a hora que eu fizer um ponto de distribuição no Rio ou em São Paulo, tenho como atingir toda a região Sul e Sudeste fácil. Vocês ainda vão ouvir falar muito dessa marca.