Os desafios de Cidades Resilientes

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Aconteceu em São Paulo (5 e 6 de setembro), o Connected Smart Cities 2018, evento que se define como  uma plataforma que “envolve empresas, entidades e governos em que tem por missão encontrar o DNA de inovação e melhorias para cidades mais inteligentes e conectadas umas com as outras, sejam elas pequenas ou megacidades”.

E como falar de mudanças nas cidades que sofrem com violência, desemprego, falta de infraestrutura, negligência do poder público? Um dos exemplos foi o trabalho do Projeto 100 Cidades Resilientes (100RC) em parceria com a Prefeitura de Salvador, que acaba de divulgar o Relatório de Avaliação Preliminar para Desenvolvimento da Estratégia de Resiliência.

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A diretora de Resiliência da Prefeitura de Salvador, Adriana Campelo, conversou com o ONB sobre os desafios de transformar a capital da Bahia, um dos estados de maior desigualdade social do Brasil.

Como interferir no ciclo de desigualdade, pobreza, desemprego e violência de uma capital como Salvador?

O objetivo da estratégia de resiliência é identificar iniciativas que já existem na cidade, de todos os setores, não só do setor público, e verificar como podemos apoiar essas iniciativas para que elas se tornem políticas públicas. O outro ponto é criar novas iniciativas. Para isso, estamos ouvindo todos os setores da cidade, tanto privado quanto público, a comunidade em si. As iniciativas foram elencadas a partir dessa escuta ampla. Estamos na segunda fase agora e nosso trabalho é ir mais profundamente nessa escuta, assim estamos procurando iniciativas, ações de curto, médio e longo prazo que ataquem diretamente nessas frentes.

Em ano eleitoral, quais os desafios que o Projeto 100RC identifica como sendo negligenciado pelos candidatos?

A continuidade das boas políticas e das boas ações é o maior desafio. Isso tem sido experimentado em todas as cidades do projeto, e é uma grande preocupação nossa, ter essa continuidade. O projeto “100 Cidades Resilientes” não é alinhado com a política local, embora seja necessário entendê-la. Em Salvador, especialmente, o prefeito e a prefeitura fizeram questão de desvincular as ações do projeto com a agenda política. Independentemente da alternância de poder, a estratégia da resiliência é de que ela fique como um legado para a cidade e para a sua população.

Com quais as propostas básicas que o RC100 pode contribuir para que as cidades sejam resilientes e entrem num processo de prosperidade?

Colocando uma rede de parceiros, de datas, informações e de ideias à disposição da cidade.

O relatório relata em 50 páginas muitas estratégias, todas relevantes, mas como tem sido a participação dos cidadãos? São propostas para efetivamente sair do papel?

Para todas as etapas temos workshops com os cidadãos, com as comunidades, nas prefeituras dos bairros, nas escolas públicas e privadas, nas universidades. Ouvimos setores, como comércio e indústrias, de uma maneira em geral. O cidadão também participa de oficinas abertas, fazemos ampla divulgação, qualquer pessoa pode participar. Além disso, temos uma página chamada “Salvador Resiliente” em que as pessoas podem se cadastrar, dar ideias e participar. Temos ações para curto, médio e longo prazo, inclusive com ações que já começaram a existir, como a ação da Fundação Avina e um edital da prefeitura apoiando startups que oferecessem projetos para a resiliência da cidade.

Qual a próxima fase do Programa 100 RC em Salvador?

Estamos na fase dois, e a terceira fase é a fase de implementação. Existem projetos que são previstos para serem implementados na fase três e que começam no ano que vem. Depois dos dois anos que a Fundação Rockfeller apoia a cidade, este período pode ser estendido por mais cinco anos. Em Salvador, temos projetos para até 2049, ou seja, estamos pensando em projetos que já estão acontecendo agora e outros projetos que vão até 2049.

Para saber mais – https://www.100resilientcities.org/