Programa incentiva o empreendedorismo feminino em MG

(Foto: Reprodução)

O crescimento do empreendedorismo feminino foi um dos resultados do Programa Integrar 2015, realizado na região de Paracatu, uma área predominantemente rural, no estado de Minas Gerais.

Diversos projetos contemplados pelo programa demonstram a força da liderança destas novas empreendedoras, como: a Associação do Projeto de Assentamento Tiro e Queda – que produz pães e bolos; a Associação do Projeto de Assentamento Santa Rosa, fábrica de polpas de fruta; e o Costurando a Minha Dignidade – projeto voltado à formação de mulheres de baixa renda para a prestação de serviços de costura.

Por meio da capacitação técnica de mão de obra, o fortalecimento da economia local, por meio do eixo Geração de Trabalho e Renda, o empreendedorismo, e a educação ambiental, o Programa Integrar visa desenvolver sustentavelmente a região mineira de Paracatu.

Além de movimentar a economia local, os negócios também estimulam a educação ambiental, mostrando que é possível gerar renda a partir dos recursos naturais e sem prejudicar o meio ambiente.

O Organics News Brasil conversou com a artesã e ex-professora Mércia Vasconcelos Souto, que trabalha na Associação Esther Siqueira Tillmann, sobre como ser empreendedora impactou a sua vida e das pessoas ao seu redor.

  1. Qual era a sua profissão antes de ingressar no Programa Integrar?

Eu sou professora aposentada e trabalhava com costura nas horas vagas. Tive também uma loja de aluguel com vestido de noiva por 10 anos.

  1. Como você soube sobre a iniciativa?

Na verdade, eu já tinha visto e ouvido falar do programa em eventos na cidade e por meio de outras associações que participavam do Programa Integrar. A cidade conhece bem a iniciativa e sempre foi muito bem divulgado na região. As pessoas vinham para mim e falavam: por que você não participa do Integrar? Vocês atendem a todos os requisitos, são tão organizados, etc. E ai, eu percebi que a oportunidade era grande para desenvolver o projeto e fomentar a vida das mulheres da cidade.

  1. O que motivou o início do seu negócio?

Queria produzir algo meu e tinha motivação para isso, mas faltavam recursos e principalmente informação. Nós não tínhamos noção de como era gerir uma empresa.

  1. Quais são os objetivos da empresa?

Nosso objetivo é gerar emprego e renda. Mais do que isso. É dar qualidade de vida para as mulheres e mães de família que não têm emprego e pouca instrução.  A maioria não tem casa. Chegamos a ter 80 mulheres trabalhando conosco.

  1. Como o projeto impactou a vida de outras pessoas da região?

Foi um ganho enorme. Graças ao Integrar, ampliamos o número de mulheres que participam do projeto e com isso oferecemos um mundo de possibilidades porque além do trabalho, oferecemos oficinas e assessoria. Também crescemos como gestores do nosso negócio e tivemos mais consciência do que é fazer parte do terceiro setor e do que é ser uma empresa. Posso dizer que hoje temos uma visão de mundo diferente e consequentemente uma conduta melhor por que vemos a questão social como um todo. Além disso, percebemos que houve uma melhora em relação à valorização do trabalho dessas mulheres. Nosso projeto foi reconhecido não só em Paracatu, como em todo o Brasil e no mundo. E isso fez com que aumentasse a auto-estima das pessoas envolvidas.

  1. Um dos objetivos do Programa Integrar é estimular a educação ambiental, como você percebe a sustentabilidade no seu negócio?

Antes não percebíamos a sustentabilidade e nem sabíamos o que era isso direito. Hoje, trabalhamos com todo o pano que temos e nos tornamos uma empresa sustentável economicamente. Nossas mulheres vivem dessa renda e depois de cinco anos sendo guiados pelo Programa Integrar, temos orgulho em dizer que saímos do projeto preparados para seguir nosso caminho sozinhos.

  1. Para você, o que é ser uma mulher empreendedora?

Acima de tudo é não perder foco, a visão e o amor ao próximo. Esse desejo de ser útil é o que nos move. Mesmo aposentada, nunca parei de trabalhar. Depois desse tem outro projeto e depois mais projetos. Ainda tenho muito na minha cabeça a desenvolver e vou levar essas mulheres comigo. Somos fortes juntas.

  1. Qual conselho você daria para mulheres que desejam iniciar o negócio próprio?

Acreditar. Tem que acreditar. Caso contrário como você vai fazer com que os outros acreditem em você? Não adianta sonhar se você não consegue fazer com que os outros sonhem junto.