Programa incentiva o empreendedorismo feminino em MG

(Foto: Divulgação/ Bitenka)

O crescimento do empreendedorismo feminino foi um dos resultados do Programa Integrar 2015, realizado na região de Paracatu, uma área predominantemente rural, no estado de Minas Gerais.

Diversos projetos contemplados pelo programa demonstram a força da liderança destas novas empreendedoras, como: a Associação do Projeto de Assentamento Tiro e Queda – que produz pães e bolos; a Associação do Projeto de Assentamento Santa Rosa, fábrica de polpas de fruta; e o Costurando a Minha Dignidade – projeto voltado à formação de mulheres de baixa renda para a prestação de serviços de costura.

Por meio da capacitação técnica de mão de obra, o fortalecimento da economia local, por meio do eixo Geração de Trabalho e Renda, o empreendedorismo, e a educação ambiental, o Programa Integrar visa desenvolver sustentavelmente a região mineira de Paracatu.

A iniciativa, realizada pela mineradora Kinross Gold Corporation, em parceria com a comunidade e o poder público, beneficiou mais de 13 mil pessoas ao investir R$ 2 milhões, apenas em 2015.

Segundo a presidente da Associação do Projeto de Assentamento Santa Rosa, Gláucia Matos, o programa garantiu o escoamento da produção de polpa de frutas. “Conseguimos fazer a inclusão de 65 famílias e o Programa Integrar foi a chave para o mercado, proporcionando uma fábrica estruturada e legalizada, além de assistência técnica durante todo o processo”, afirmou.

Além de movimentar a economia local, os negócios também estimulam a educação ambiental, mostrando que é possível gerar renda a partir dos recursos naturais e sem prejudicar o meio ambiente.

O Organics News Brasil conversou com a presidente da Associação do Projeto de Assentamento Tiro e Queda, Miriam Queiroz Dias, sobre como ser empreendedora impactou a sua vida e das pessoas ao seu redor.

  1. Qual era a sua profissão antes de ingressar no Programa Integrar?

R: Sempre trabalhei na área rural e como dona de casa. Gostava de cuidar da horta e arrumava a casa.

  1. Como você soube sobre a iniciativa?

R: Eu ouvi no rádio uma propaganda do Programa Integrar, convidando as pessoas que tivessem alguma ideia ou pequena empresa a se inscreverem no projeto. Na época, eu já tinha um negócio de venda de doces, mas era muito amador e sucateado. Quando ouvi a propaganda, percebi que era o momento de dar uma guinada na empresa e realizar os objetivos principais.

  1. O que motivou o início do seu negócio?

R: Eu vivo em uma comunidade rural, um assentamento junto com outras famílias. Tínhamos um grupo de mulheres e estávamos em busca de alguma atividade que complementasse a nossa renda familiar. Foi a partir desse encontro que decidimos abrir uma fábrica de doces. Mas não deu muito certo no começo. O espaço era pequeno, não tínhamos muitos compradores e nem organização.

  1. Quais são os objetivos da empresa?

R: Nosso principal objetivo é fazer com que esse grupo de mulheres tenha uma renda complementar ao trabalho rural, para ajudar no orçamento doméstico. Nós somos em essência trabalhadores rurais, mas essa veia empreendedora nos motivou a alçar novos voos.

  1. Como o projeto impactou a vida de outras pessoas da região?

R: O Programa Integrar fez com que a nossa pequena fábrica de doces se tornasse uma empresa sustentável. Em um primeiro momento, o trabalho mudou a vida das mulheres do Assentamento Tiro e Queda. […] Hoje, nossa empresa dobrou de tamanho e expandimos nosso portfólio para a produção de bolos e biscoitos. Nossa estrutura também é outra, mais cômoda, maior, confortável e com mais equipamentos.

(Foto: Divulgação/ Bitenka)
(Foto: Divulgação/ Bitenka)

Outra coisa que o projeto fez por nós foi fomentar a atividade rural da região. Para fazer os produtos, só compramos matéria-prima dos produtores da região, como mandioca e leite. Com isso, aumentamos a renda deles e investimos no crescimento e no desenvolvimento da região. Somos seis mulheres, mas costumo dizer que indiretamente empregamos mais de 20 pessoas da comunidade.

  1. Um dos objetivos do Programa Integrar é estimular a educação ambiental, como você percebe a sustentabilidade no seu negócio?

R: Sim, o tempo todo. Como falei somos uma área rural e dependemos muito da terra para o nosso sustento. Em contrapartida, nós temos que preservá-la. Tentamos fazer de tudo, mas sempre temos a sensação que ainda podemos fazer mais, como preservar a beira das veredas, córregos e rios, principalmente em uma época seca como a que estamos vivendo.

  1. Para você, o que é ser uma mulher empreendedora?

R: Costumo dizer que empreender é levantar cedo, arregaçar as mangas, trabalhar o dia inteiro, sair às ruas e vender seu trabalho. Nosso negócio surgiu de um sonho em comum e tenho orgulho de ser um das mulheres empreendedoras da nossa região. Ser empreendedora é isso: é fazer acontecer.

  1. Qual conselho você daria para mulheres que desejam iniciar o negócio próprio?

R: Eu diria que se você tem vontade de fazer algo e sonha com isso, vá e nunca desista. Corra. Batalhe. Mesmo que não tenha muita solução, se achar uma luz no fundo do túnel e seu sonho for honesto, vale a pena persistir porque o sucesso está lá e você vai conseguir.