Entidades lançam Frente Brasil de Recuperação Energética de Resíduos

(Foto: Pixabay)

A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Associação Brasileira de Empresas Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre), Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) e Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE) criaram a Frente Brasil de Recuperação Energética de Resíduos (FBRER).

As entidades se uniram para viabilizar soluções técnicas e operacionais para destinar os resíduos da forma mais sustentável e ambientalmente adequada.

Segundo o presidente da ABiogás, Alessandro Gardemann, o trabalho vai auxiliar o governo colocar a Política Nacional de Resíduos Sólidos em prática.

A produção de biogás é “uma das formas de promover a recuperação energética dos resíduos”, aponta Gardemann. 

Um estudo realizado pela ABiogás e a Abrelpe constatou que metade dos resíduos urbanos gerados é orgânico, que possui um enorme potencial para o aproveitamento energético por meio do biogás. Contudo, pouco mais da metade desse material é destinado para aterros sanitários, onde poderia haver o aproveitamento energético. 

“Quase 80% do biogás produzido hoje no país é oriundo de resíduos de aterros sanitários e estações de tratamento de esgoto, comprovando o alto potencial energético das usinas implantadas nestes locais”, explica o presidente.

Além de contribuir para o incremento da oferta energética, a geração de energia a partir dos resíduos sólidos também beneficia todo o sistema de destinação. Atualmente, o Brasil conta com um grande percentual (40%) de resíduos coletados com destinação em unidades inadequadas, e poucas iniciativas para recuperação dos materiais.

“Um problema histórico que prejudica a superação desse déficit, e dificulta o desenvolvimento de novas iniciativas, reside no fato de que o setor não conta com recursos adequados nem incentivos para viabilizar os investimentos necessários e o custeio das operações de maneira constante e perene, nem mesmos as básicas. Nesse sentido, a assinatura do acordo busca superar alguns desses entraves, com o estímulo a políticas públicas e ações práticas para assegurar o encerramento das unidades inadequadas (lixões e aterros controlados); parcerias para viabilizar a estruturação de novos projetos; e regulamentação para facilitar a comercialização e uso da energia gerada a partir dos resíduos sólidos”, observa Carlos Silva Filho, diretor presidente da ABRELPE.

Com investimentos que podem chegar a R$ 15 bilhões a partir da implantação de diferentes tecnologias, o processo de recuperação energética de resíduos vai beneficiar diretamente para a redução da geração de chorume e da geração de gases de efeito estufa, aumento da reciclagem de materiais contidos nos Resíduos Sólidos Urbanos; substituição de combustíveis fósseis na produção de cimento e ampliação da vida útil dos aterros sanitários atualmente em operação.