Indígenas recusam política de integração do governo Bolsonaro

(Foto: Divulgação)

Lideranças indígenas da Amazônia protestaram contra a política indigenista desenhada pelo novo governo em carta aberta destinada ao presidente Jair Bolsonaro.

Na última terça-feira (1º), uma media provisória transferiu a responsabilidade pela identificação, delimitação e demarcação de terras indígenas e a regularização de terras quilombolas da FUNAI para o Ministério da Agricultura. A ação foi apontada como uma forma para dizimar os povos tradicionais.

“Essa prática já aconteceu no passado na história Brasileira como uma tentativa agressiva de nos dizimar. Foi um período muito difícil e ineficiente do Estado. Não aceitamos e não concordamos com suas medidas de reforma administrativa para gestão da política indigenista”, dizem os autores.

O documento, assinado por Marcos Apurinã e André Baniwa, lideranças dos povos Apurinã e Aruak Baniwa, da Amazônia, criticou as declarações do presidente sobre o modo de vida das populações tradicionais, garantidas pelos artigos 231 e 232 da Constituição Federal.

Os autores também criticaram declarações recentes de Bolsonaro sobre o “vazio demográfico”. “Não é verdade que os povos indígenas possuem 15% de terras do território nacional. Na verdade são 13%. Esse percentual é o que restou como direito sobre a terra que antes era 100% indígena antes do ano de 1500 e que nos foi retirado. Não somos nós que temos grande parte do território Brasileiro, mas os grandes latifundiários, ruralistas, agronegócios,que possuem mais de 60% do território nacional Brasileiro(…) As nossas terras nunca são vazios demográficos. Foram os indígenas que ajudaram a proteger as fronteiras brasileiras na Amazônia”, diz o texto.

Os autores ainda afirmam ter condições de elaborar projetos e iniciativas políticas próprios. “Quem não é indígena não pode sugerir ou ditar regras de como devemos nos comportar ou agir em nosso território e em nosso país. Temos capacidade e autonomia para falar por nós mesmos”.

“Queremos continuar sendo indígenas, com direito a nossa identidade étnica, assim como somos brasileiros. Nosso modo de vida é diferente. Não somos contra quem opta por um modelo econômico ocidental, capitalista. Mas temos nossa forma própria de viver e se organizar nas nossas terras e temos nossa forma de sustentabilidade. Por isso, não aceitamos desenvolvimento e nem um modelo econômico feito de qualquer jeito e excludente, que apenas impacta nossos territórios”.

Os indígenas pedem que o presidente considere a política de diálogo e a democracia em seu governo. “Nós lideranças indígenas, representantes legítimas, estamos prontos para o diálogo, mas também estamos preparados para nos defender”, finaliza o texto.

** Com informações da Revista Globo Rural