Covid é oportunidade para São Paulo “dar salto” na gestão de resíduos

resíduos de alimentos
(Foto: Kátia Mello/ Reprodução Wikimedia Commons)

A cidade de São Paulo precisa investir em logística reversa, articulação política e social, inovações tecnológicas e educação ambiental se quiser avançar na gestão de resíduos sólidos.

As soluções para enfrentar os desafios da gestão de lixo em São Paulo foram tema do painel “Um mundo sem lixo é possível”, que reuniu vereadores e especialistas em meio ambiente e sustentabilidade no 4º Encontro Lixo Zero 2020.

“Não gerar lixo é uma utopia. Mas tornar a cidade lixo zero é possível e a pandemia de Covid-19 é uma oportunidade para dar um grande salto na gestão de resíduos sólidos em São Paulo. Nós não temos que mudar o mundo, temos que mudar a forma como cada um de nós pensa e age para que a nossa ação no mundo não cause danos”, disse Flávia Cunha, sócia-fundadora da Casa Causa.

Atualmente, são produzidas 20 mil toneladas de lixo por dia na cidade de São Paulo, sendo 12 mil residencial e 8 mil de varrição. A coleta seletiva está presente em 94 distritos e cobre 75% das vias, mas apenas 7% vai para a reciclagem, de acordo com dados da AMLURB.

Cerca de 52% do lixo destinado para os aterros são orgânicos, ou seja, todas as matérias de origem biológica, que pode ser proveniente da vida animal ou vegetal.

Segundo o presidente da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (AMLURB), Dr. Edson Tomaz de Lima Filho, a capital paulista trata apenas o lixo orgânico de frutas, verduras e legumes e ainda não consegue tratar os resíduos orgânicos mais pesados.

“O orgânico exige um movimento mais engajado da população do que o reciclável. Reciclar orgânico é um desafio muito maior e temos que aprender a fazer isso e achar soluções simples”, afirmou.

Para o presidente, a inovação tecnológica é uma das soluções para impedir que o lixo orgânico acabe nos aterros, como investir em compostagem e transformar estes resíduos em biogás.

“Temos que pensar em tecnologia, temos que avançar nesse modelo, que praticamente ainda é o mesmo usado há 16 anos. Ou avança com educação ambiental e tecnologia ou vai continuar tendo enormes problemas na gestão de resíduos sólidos na cidade”, disse.
“É fazer com que o lixo não seja mais lixo, que ele seja algo útil, transformado, que continua na produção e dentro do ciclo econômico da vida das pessoas”, complementou.

O Dr. Edson Tomaz ressaltou que também é preciso aumentar o número de cooperativas. Entretanto o alto nível de burocracia é um obstáculo.

Para a vereadora Soninha, a pauta ambiental é um exemplo de como legislar não é o primeiro ou o passo decisivo para mudar a realidade. Ela argumenta que apesar de São Paulo ter 30 leis sobre lixo e resíduos, a articulação de todos os atores é fundamental para fazer uma legislação melhor, mais prática e mais viável.

“[A articulação é] mais poderosa do que a lei por conseguir avanços em algumas coisas. Se depois, [o assunto] for avançando e for consagrado em lei, a lei vai ser melhor. Quando a sociedade já se apoderou [do assunto], a lei baseada nisso tem mais poder”, avaliou.

O vereador Eliseu Gabriel critica a falta de interesse do Executivo na temática. Ele propõe criar mais ecopontos com funcionamento de 24 horas; determinar que as empresas de lixo contratadas pela prefeitura sejam responsáveis por uma porcentagem obrigatória de lixo reciclável; e investir na educação dos cidadãos, para que aprendam desde pequenos a importância da gestão do lixo.