Poluição mata mais de 11 mil pessoas em São Paulo

(Foto: Pixabay)

A poluição atmosférica foi responsável pela morte de mais de 11 mil pessoas em São Paulo, revela novo estudo do Instituto Saúde e Sustentabilidade, que mostra que a qualidade padrão do ar registrada anualmente no estado paulista está 92% acima do limite aceitável, de acordo com os parâmetros da OMS, ante os 9,6% constatados pela CETESB em 2015.

De acordo com a pesquisa, a poluição causou 11.200 mortes no Estado em 2015, o equivalente a 31 mortes precoces por dia. O índice é o dobro das mortes provocadas por acidentes de trânsito, cinco vezes superior ao número de mortes por câncer de mama (3620) e quase 6,5 vezes mais do que a AIDS (2922).

Os dados aferidos em 2015 pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), no estudo “Qualidade do Ar no Estado de São Paulo Sob a Visão da Saúde”, foram analisados pela primeira vez seguindo os padrões de qualidade de ar recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo, segundo a Dra. Evangelina Vormittag, uma das autoras do relatório, é alertar sobre os riscos da legislação ambiental vigente no país.

A pesquisadora se refere à Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA 03/1990), que definiu os padrões de qualidade do ar no Brasil há 27 anos. Por não ser atualizada desde a sua implementação, a Resolução não utiliza o conhecimento adquirido sobre a poluição nos últimos anos.

“Com este estudo, o Instituto Saúde e Sustentabilidade visa alertar sobre os riscos da nossa legislação ambiental de aceitar como seguras concentrações de poluição do ar reconhecidamente lesivas à saúde da população”, alerta Vormittag.

Enquanto o monitoramento da concentração das médias diárias de determinada partícula poluidora (MP10) mostra que foi ultrapassado 2.214 vezes os padrões da OMS, a CETESB registrava apenas 128 vezes pelas métricas do órgão.

“Não é por falta de uma qualificada pesquisa científica e informação que isso ocorre em nosso país – o Brasil é um dos países que mais publica sobre o tema no mundo, entretanto, não conseguiu estabelecer políticas públicas suficientes, que venham controlar os malefícios ambientais para a saúde humana e a diminuição dos gastos públicos em saúde decorrentes”, complementa a pesquisadora.

O estudo estima que ocorra 250 mil mortes precoces e 1 milhão de internações hospitalares com dispêndio público de mais de R$ 1,5 bilhão, em valores de 2011, no estado até 2030.

Para o diretor do Instituto de Ensinos Avançados da USP e um dos autores do estudo, Dr. Paulo Saldiva, apesar de não mudar a qualidade, atualizar a avaliação do ar é imprescindível para entender a situação atual e criar políticas públicas para solucionar o problema.

“Embora não altere a situação do ar, mudar o padrão permitirá entender a real situação para que possamos agir para sanar o problema – como agora, por exemplo, com a revisão dos padrões de qualidade do ar que acontece no CONAMA e com o edital do transporte público e projetos sobre combustíveis limpos para o transporte público de São Paulo, por exemplo. Nessas horas, dados corretos podem fazer a diferença em prol de projetos de lei e políticas públicas eficientes”, explica Saldiva.

Na capital paulista, a prefeitura pretende substituir os ônibus movidos a diesel por elétricos para reduzir as emissões de gases poluentes, conforme previsto pela Lei de Mudanças Climáticas (nº 14.933).

A releitura do estudo “Qualidade do Ar no Estado de São Paulo Sob a Visão da Saúde” está disponível no site.