Alimentos sem agrotóxicos: comprar produtos orgânicos significa investir em qualidade alimentar ou gastar mais?

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Consumir produtos orgânicos significa investir na saúde, na proteção ambiental e em práticas sustentáveis.
O mundo contemporâneo é marcado por rupturas no que se refere ao modo de produção, especialmente quando falamos do campo. Pode-se dizer, nesse sentido, que, a partir da Revolução Verde e da implementação da técnica nos processos agrícolas, o modo como a sociedade passou a consumir os alimentos mudou significativamente.
Nesse sentido, o processo de modernização do campo, ligado diretamente às produções em grande escala e ao uso de fertilizantes sintéticos, por consequência, fez com que a produção de alimentos de origem orgânica reduzisse significativamente. Em vista disso, grande parte dos produtos que consumimos é produzida com fertilizantes sintéticos.
Os produtos sem agrotóxico são mais saudáveis? 
Em síntese, pode-se dizer que sim, os produtos orgânicos são mais saudáveis por diversos aspectos. Os produtos não orgânicos ficam expostos a resíduos oriundos dos fertilizantes sintéticos, ocasionando efeitos cumulativos, riscos ocupacionais aos agricultores, bem como impactos ambientais. No entanto, os produtos de base orgânica, agroecológica, são cultivados seguindo métodos tradicionais e práticos.
Essa abordagem preza, portanto, pelo uso de fertilizantes de origem orgânica, como uso de adubos tanto de origem vegetal quanto animal. Ao invés de utilizar agrotóxicos para controle de pragas e doenças, os produtores de base orgânica preferem a adoção de plantas repelentes, controle biológico e rotação de culturas. Ou seja, investe-se na autossustentação do ambiente agrícola, respeitando os ciclos naturais preestabelecidos.
Por que comprar alimentos orgânicos? Existe diferença de preço? 
Inicialmente, é fundamental deixar claro que, além dos impactos na saúde, consumir alimentos orgânicos também impacta na esfera social. Os alimentos orgânicos deixam as pessoas menos expostas aos resíduos dos agrotóxicos sintéticos. Por exemplo, na faculdade de nutrição EAD, existem disciplinas que estudam esses alimentos.
Esses estudos enfatizam que, em comparação com os alimentos de origem não orgânica, os produtos orgânicos possuem um valor biológico e nutricional muito mais elevado. Alimentar-se de produtos orgânicos significa menor exposição a antibióticos e a hormônios.
De fato, nas produções de origem orgânica, é vedado o uso de hormônios e antibióticos que aceleram o crescimento, tanto em relação às culturas quanto ao desenvolvimento dos animais. Em suma, o consumo de produtos geneticamente modificados (OGMs) carece de estudos acerca de seus impactos em longo prazo no organismo humano.
Em contrapartida, consumir alimentos orgânicos é um atestado de segurança alimentar. A legislação desses alimentos possui padrões rigorosos, desde o processo do cultivo até o de distribuição. Esse rigor é o que faz o orgânico ser especial. Usufruir desse tipo de produto significa, também, apoiar as produções da agricultura familiar.
Consumir dos agricultores locais influencia diretamente na economia regional e, consequentemente, reduz a dependência do pequeno agricultor em relação ao pacote tecnológico da modernização do campo. Essa redução influencia diretamente na capacidade nutritiva do solo e na sua regeneração. Trata-se de um processo cíclico de nutrição tanto do sujeito quanto do solo.
No final das contas, os alimentos orgânicos tendem a ser mais caros do que os alimentos de origem não orgânica. Isso se dá devido ao custo da produção, à menor escala de produção, à lei da oferta e da demanda e ao processo de certificação. Todavia, embora os alimentos orgânicos sejam mais caros, o investimento é válido tendo em vista os benefícios à saúde, ao meio ambiente, e o impacto econômico da região.