Alheia à crise, empresa de Controle Biológico cresce 30% ao ano no Brasil

(Foto: Reprodução/ AEASE)

Em tempos de recessão na economia brasileira, um segmento da Agricultura ligado à Biotecnologia se mantém de vento em popa. Trata-se do Controle Biológico, setor cujo crescimento atinge 30% ao ano nos últimos quatro anos para a BUG Agentes Biológicos, empresa da área com sede em Piracicaba/SP, conhecida mundialmente pelo seu caráter altamente inovador.

Líder mundial (Brasil) em inovação neste tema no que tange ao controle de pragas agrícolas em grandes propriedades rurais, o Controle Biológico, processo alternativo ou complementar ao uso de defensivos agrícolas, demonstra que o homem do campo já tem optado pela técnica com sucesso e ganhos de produtividade.

“A cultura do produtor nacional sempre foi focada primeiramente no uso de agentes químicos para controlar as principais pragas de diversas culturas. Isso foi passando ao longo do tempo de pai para filho, mas agora com o conhecimento da eficácia do Controle Biológico, temos quebrado este paradigma. Estamos levando esta nova informação ao agricultor. E a adesão a esta forma inovadora de manejo, com inúmeros benefícios, teve crescimento impressionante nas lavouras em todos os estados, da ordem de 30% ao ano a partir de 2012 junto aos nossos clientes”, revela Diogo Rodrigues Carvalho, engenheiro agrônomo e CEO da BUG Agentes Biológicos, eleita há quatro anos pela ‘bíblia’ da inovação, a revista norte-americana Fast Company, como a empresa mais inovadora do País e 33ª em todo o mundo.

A ampliação do segmento de Controle Biológico pode ser verificada pela criação de novas empresas, pela adesão de novos investidores no setor e pelo crescimento físico das pioneiras neste mercado. Criada há 15 anos em Piracicaba, a BUG já opera com sua segunda unidade na vizinha Charqueada, onde numa área de 22.000 m2 está em franca expansão com quatro novos prédios de produção, dois prédios com laboratórios e barracão moinho além de outras estruturas administrativas e de pessoal. “Nossa área total da unidade matriz em Piracicaba é de 1.400 m2. Com o crescimento do mercado precisamos, a partir de janeiro de 2015, investir na ampliação da capacidade de produção. Somente a área construída em Charqueada já chega a quase 5.000 m2. A previsão de conclusão é para o final deste ano”, fala o biólogo Heraldo Negri de Oliveira, diretor de produção da BUG e sócio-fundador da empresa junto com Diogo Carvalho.

Com a possibilidade de atender à demanda crescente do produtor rural pelo Controle Biológico, o faturamento da empresa também se ampliou e a BUG projeta aumento de 70% já em 2017. “Com boa parte da produção feita praticamente nesta nova unidade, centralizamos o controle de qualidade e de riscos, aumentamos a capacidade produtiva e diversidade dos produtos, garantindo capacidade de atendimento. Investimos em novos geradores e moinhos industriais, freezers de ultra-baixa temperatura, liofilizadores e autoclave industrial”, comemora o CEO da empresa.

A BUG dobrou em dois anos sua produção e hoje é capaz de garantir o tratamento por meio de seus produtos (principalmente vespas parasitoides) de uma área de 10.000 hectares por dia. “Atualmente, a empresa é responsável por proteger a cada ano uma área de 550.000 hectares de diferentes culturas no Brasil, como cana-de-açúcar, onde somente nela são 450.000 hectares, além de soja, milho, algodão e tomate entre outras”, estima o diretor de produção.

“Nosso departamento de Pesquisa & Desenvolvimento não pára. A ideia é aumentar ainda mais o portfólio e buscar soluções biológicas para o produtor rural. Nossa expertise no desenvolvimento de dietas para criação massal permitiu-nos desenvolver outros parasitoides para controle de pragas importantes como percevejos e lagarta-do-cartucho-do-milho. A expansão da unidade de Charqueada foi fundamental nisso, além da contratação de profissionais altamente capacitados para áreas muito específicas”, ressalta Carvalho.

De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio), o crescimento médio do Controle Biológico no país chega a 15% ao ano, acompanhando a média mundial  de 15,3% segundo a CPL Business Consultants. O mercado do segmento se divide entre macro (parasitóides predadores, por exemplo) e microorganismos (fungos, bactérias e vírus).

Para o diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da BUG, o engenheiro agrônomo e doutor em Entomologia Alexandre de Sene Pinto, o controle biológico de pragas é uma das táticas mais importantes na agricultura mundial que visa à sustentabilidade e precisa fazer parte de quaisquer programas de manejo de pragas das culturas. “É sustentável porque não causa resistência e até a evita em áreas com aplicações de inseticidas ou com plantas transgênicas. Não polui o solo, as águas e o ecossistema de uma forma geral. Não causa intoxicação de agricultores, funcionários e consumidores, garantindo produtos de mais qualidade. Não tem restrições às barreiras fitossanitárias internacionais e, pelo contrário, são até preferidas ou exigidas. O controle de uma praga muitas vezes serve para outras ou favorece a atuação dos inimigos naturais destas, por ser seletivos a eles. A eficiência média do Controle Biológico é de 80%, mas já temos registros de 95% e até 98% em algumas culturas”, complementa o diretor de P&D da empresa.

Após o destaque na Fast Company em 2012, em outubro do mesmo ano, a BUG também foi premiada na área de sustentabilidade com o “World Technology Award”, promovido nos EUA por corporações de comunicação como a CNN, Time, Science e Fortune. No ano seguinte foi a vez da empresa se tornar a primeira corporação da América Latina a figurar entre as 36 mais inovadoras do mundo segundo o Fórum Econômico Mundial (WEF), que a laureou com o “Pioneiros da Tecnologia”, prêmio que reconhece corporações pelo seu potencial em transformar o futuro da sociedade e dos negócios no mundo.

O Controle Biológico chegou para ficar, principalmente porque agricultura brasileira ainda tem sofrido nos últimos anos com a dependência histórica de agrotóxicos para o controle de pragas. Exemplo disso são os produtores agrícolas de todo o país que ainda estão com as barbas de molho em função das severas perdas sofridas em culturas como soja, milho, algodão e feijão em função dos ataques das lagartas Helicoverpa armigera e da falsa-medideira – só em 2013 os prejuízos passaram de R$ 2 bilhões mesmo com a aplicação de agrotóxicos. No caso dos percevejos a história não é  diferente, pois são pragas de difícil controle e as opções de produtos são escassas. Além do alto custo destes “químicos”, a prática apresenta problemas colaterais de saúde tanto para o homem do campo como para o consumidor final e o meio ambiente.

No Brasil, a cada ano, cerca de 500 mil pessoas são contaminadas por agrotóxicos, segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS) e estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em outubro de 2013, a Anvisa revelou que 36% das amostras analisadas de frutas, verduras, legumes e cereais estavam impróprias para o consumo humano ou traziam substâncias proibidas no Brasil. O mercado brasileiro de agrotóxicos– o maior do mundo no segmento – gira em torno de US$ 11,4 bilhões/ano.

Em abril de 2015, para marcar o Dia Mundial da Saúde, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) “José Alencar Gomes da Silva”, divulgou um documento público onde ressalta os riscos dos agrotóxicos para a saúde, em especial por sua associação com o desenvolvimento do câncer. O objetivo foi fortalecer iniciativas de regulação e controle dessas substâncias que promovam a redução progressiva e sustentada do uso de agrotóxicos e a substituição do modelo agrícola dominante pela produção de base agroecológica.  A discussão está alinhada com diretrizes da OMS.

** Com informações da assessoria de imprensa