O dia 16 de junho de 2015 vai ficar marcado na história pela decisão da FDA (Federal Drug Administration) dos Estados Unidos, proibindo a venda de produtos que contenham gordura trans em sua fabricação e a retirada dos alimentos que estejam no mercado e tragam em seu rótulo qualquer porção da danosa gordura até 2018.
Trata-se de uma decisão bastante acertada (embora atrasada) e que vai beneficiar milhares de pessoas que consomem, diariamente, alimentos que aumentam o famigerado LDL (Low Density Lipoproteins), que significa Lipoproteínas de Baixa Densidade, também conhecido como “mau colesterol”. O LDL transporta o colesterol do fígado até as células dos tecidos e favorece o seu acúmulo nas paredes internas das artérias, diminuindo o fluxo do sangue, o que o relaciona diretamente com doenças cardíacas.A gordura trans é bastante prejudicial à saúde, pois eleva o nível de LDL e diminui o colesterol bom, as Lipoproteínas de Alta Densidade (em inglês, HDL). Essas alterações aumentam o risco de doenças como infarto e acidente vascular cerebral.

Como à indústria e ao comércio só interessa o faturamento, independente do que aquilo que fabricam ou vendem possa causar à população, é importante que os governos se preocupem com esse assunto, pois, o que está em risco é a saúde da população.
Mas, pensar que, aqui no Brasil, as coisas tenham a mesma consequência, é sonhar demais. Demoramos muito para ter decisões que facilitem a vida das pessoas, somos lerdos em alterar o “status quo”, notadamente quando o lobby dos poderosos fala mais alto. Prova é que está em tramitação, em Brasília, um projeto para omitir o prefixo “trans”, que nada tem a ver com a gordura acima citada, do rótulo dos produtos modificados geneticamente.
É difícil entender por qual motivo a população que, em última análise, é quem sustenta os governantes, não pode ter o direito de saber o que está consumindo e, o que é pior, não pode saber se este ou aquele produto é ou não transgênico! Com a aprovação da lei, os símbolos que identificam hoje produtos com OGMs (Organismos Geneticamente Modificados) poderão não estar mais presentes nos rótulos, sendo que, para o consumidor final, não será mais possível ter certeza sobre a presença de transgênicos em alimentos por meio da rotulagem, exceto em caso de teste laboratorial específico.
Caso o projeto de lei seja aprovado, o brasileiro passa a correr sério risco de saúde, pois irá comprar alimentos sem saber se são seguros ou não. Atualmente, perto de 92,4% da soja e 81,4% do milho do País são de origem transgênica. É essa produção crescente e acelerada que leva para a mesa do consumidor um alimento disfarçado ou camuflado que não informa sua real procedência. Os consumidores têm o direito à informação (artigo 6º do CDC – Código de Defesa do Consumidor) sobre o que estão adquirindo ao comprar e consumir um produto.
Em 28 de abril de 2015, o projeto de lei foi colocado em votação na Câmara dos Deputados e aprovado com 320 votos e 135 contra e agora segue para apreciação no Senado. Ainda é possível manifestar-se a respeito.






























