Brasil precisa de medidas mais ambiciosas contra o clima, diz pesquisa

(Foto: Reprodução/ Fiesp)

As metas com o que o Brasil se comprometeu no Acordo de Paris não são suficientes para barrar as emissões de gases de efeito estufa após 2030, sem medidas adicionais. É o que revelou o estudo realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Nomeado de “Mudança do Clima – Avaliação dos reflexos das metas de redução de emissões sobre a economia e a indústria brasileira”, o estudo constatou que as metas de reduzir as emissões em 37% e 43% nos anos de 2025 e 2030, respectivamente, em relação às emissões de 2005, não seriam integralmente alcançadas.

Para realizar o estudo, pesquisadores utilizaram um modelo personalizado que considera a forte presença do etanol e a base florestal do país. De acordo com a metodologia, se forem adotadas as medidas com que o Brasil se comprometeu acordo climático, as metas para 2030 seriam atingidas, mas depois disso as emissões voltariam a crescer, caso não sejam tomadas medidas adicionais.

Neste caso, os resultados indicam a necessidade de cortar as emissões em até 45%, o que significa uma ampla descarbonização da economia.

Em termos econômicos, os cenários avaliados, em relação a políticas de mudança do clima, mostram impactos reduzidos sobre o PIB brasileiro.

Em 2030, o PIB seria 0,8% menor do que se não fossem tomadas as medidas previstas na COP. Enquanto a precificação via tributo não muda muito o panorama, o impacto negativo no PIB se acelera a partir de 2030, chegando a uma redução de 6,5% em 2050 em relação ao cenário sem esforço de redução das emissões.

Em relação a instrumentos de mercado (cap-and-trade), o PIB seria 3% menor em 2050 do que sem a adoção de medidas contra a mudança climática. E se o esforço fosse feito apenas forçando a troca por energia renovável, o PIB seria 19% menor.

Na comparação entre países, os resultados obtidos demonstram que uma política de cap-and-trade traz custos similares aos que a Europa e a América Latina teriam se implementassem suas metas do Acordo de Paris, enquanto China e Índia sofrem menores custos por terem se comprometido com metas pouco ambiciosas, o que pode gerar perda da competitividade do Brasil por ter metas mais ambiciosas.

O estudo está disponível na íntegra em: http://www.fiesp.com.br/indices-pesquisas-e-publicacoes