Confesso que gostava mais de Miguel de Cervantes, talvez porque tenha sido apresentado ao livro antes do teatro, mas quando assisti a primeira representação de um texto do dramaturgo William Shakespeare, adorei.
Parecia algo atual, na minha adolescência nos anos 60, com suas peças tendo como temas a condição humana, os amores, encontros, desencontros e tragédias.
Foi minha Nona Julia que me ensinou sobre Shakespeare. Autodidata, conhecia música, literatura e teatro. Adorava colocar nomes de seus filhos e netos de personagens da literatura e das peças de teatro. Imigrante italiana da cidade de Verona, exatamente onde se passa a tragédia de Romeu e Julieta, gostava das obras do dramaturgo inglês que colocou o nome num de seus filhos de Romeu, coincidentemente meu pai. A nona dizia que a história dos Montecchios e dos Capuletos era o retrato da sociedade de sua terra onde dinheiro e poder faziam casamentos ou inimigos e que a obra Romeu e Julieta celebrava a força do amor.
Neste mês de abril faz 400 anos da morte de Miguel de Cervantes e William Shakespeare. A data é 23, oficialmente, já que a Espanha usava na época o calendário Gregoriano e a Inglaterra o Juliano, com diferenças de alguns dias entre um e outro, mas o que importa mesmo é que os dois continuam vivos nas várias edições ao longo de todos esses anos da obra de Cervantes: Dom Quixote de LaMancha, romance moderno que ironizou as histórias dos heróis da Idade Média; e nas peças exaustivamente encenadas do maior autor teatral de todos os tempos, Shakespeare, que levou para suas obras a realidade da vida.
Os dois fazem parte de um momento inigualável na história das artes, o renascimento.
Para lembrar um pouco mais sobre os dois escritores que têm suas obras tão adequadas aos nossos tempos pinçamos duas frases:
Miguel de Cervantes: “Aquele que lê muito e anda muito, vê muito e sabe muito”
William Shakespeare: “O mundo é um palco, e todos os homens e todas as mulheres são apenas atores”.































