Clima esquenta nas negociações da COP23, saiba como foi a primeira semana

(Foto: United Nations Climate Change)

Desde 06 de novembro, 197 países estão reunidos em Bonn, na Alemanha, para negociar e determinar como colocar em prática e cumprir as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris. Confira como foram as negociações na primeira semana da COP23:

Os países em desenvolvimento instigaram o comprometimento das nações desenvolvidas. Um grupo de negociação, que incluiu países emergentes como a China, ressaltou que os países ricos prometeram reforçar os planos climáticos antes de 2020. 

Entre os compromissos das nações desenvolvidas está o financiamento de projetos de países em desenvolvimento para a mitigação das mudanças climáticas e para aumentar a resiliência das cidades mais vulneráveis aos impactos do aquecimento global.

A Alemanha, por exemplo, anunciou o financiamento de 100 milhões de euros aos países mais pobres, sendo 50 milhões destinados ao Fundo de Adaptação e o restante ao Fundo dos Países Menos Desenvolvidos (LDCF).

O empresário Michael Bloomberg investirá US$ 50 milhões em campanhas contra o uso de carvão mineral como fonte de energia, em pesquisas sobre os impactos deste minério para a saúde e para auxiliar na transição para energia limpa.

Desde 2010, o norte-americano investiu US$164 milhões em campanhas contra o uso do carvão e estimulou o fechamento de mais de 50% das usinas nos Estados Unidos.

Bloomberg integra a coalizão de governadores, prefeitos, líderes executivos e religiosos norte-americanos que abriram um pavilhão não oficial dos Estados Unidos na Conferência, após o presidente Donald Trump determinar que o país não participaria do pavilhão do evento.

Com a bandeira “A promessa da América: nós ainda estamos aqui” (em tradução livre), os representantes norte-americanos desenvolveram seminários e fóruns para reforçar que os Estados Unidos fariam o necessário para cumprir as suas metas do Acordo de Paris, mesmo com a oposição do governo federal.

A ilha de Tongua, na Oceania, anunciou a instalação de painéis solares no telhado do Palácio Real, que se tornará o primeiro movido a energia solar do mundo. 

O país pretende alcançar 50% da sua matriz energética movida a energia renovável até 2020, mais do que o dobro proposto pela Austrália. Apenas a instalação dos painéis no palácio será equivalente a 5% da meta.

Representantes do governo sírio afirmaram em uma rodada de negócio que a Síria pretende assinar o Acordo de Paris e ratificar o documento nos próximos meses. Com a entrada dos sírios, os Estados Unidos serão o único  país a rejeitar o documento.

A ambição de Tonga é similar a ilha de Tokelau. Em 2012, a ilha se tornou o primeiro país do mundo a ter 100% da sua energia gerada pelo sol.

O World Resources Institute divulgou que o setor privado investirá US$2,1 bilhões para restaurar terras degradadas na América Latina e no Caribe, por meio da Iniciativa 20×20. Cerca de 19 investidores estão apoiando 40 projetos de restauração desenvolvidos em 10 milhões de hectares.

O objetivo é neutralizar as emissões geradas pelo uso errado da terra, a silvicultura e a agricultura, que representam metade das emissões de gases de efeito estufa na América Latina e no Caribe e estão nas contribuições nacionais de muitos países.

Apesar dos avanços, a França anunciou que irá adiar o seu compromisso de reduzir o uso de fontes de energia nuclear de 75% para 50% até 2025, o que causará um atraso de 5 a 10 anos nas suas metas.

Migração preocupa países

O deslocamento de pessoas devido a eventos relacionados à mudança climática foi um dos assuntos abordados pelos países.

Durante as negociações, surgiu uma proposta para a criação do status “refugiados do clima”, que protegerá pessoas que foram forçadas a fugir de seus países, devido o impacto das mudanças climáticas.

Segundo o Conselho Norueguês para Refugiados, em média, 25 milhões de pessoas se locomoveram por ano entre 2008 e 2016, por causa de desastres naturais. Os fenômenos presenciados esse ano, como os furacões Irma e Harvey, vão contribuir para o aumento destes números.

Em entrevista coletiva, a gerente de programas humanitários da ONG Oxfam na República Dominicana, Camila Minerva, afirmou que 1,7 milhão de pessoas em Cuba foram deslocadas de seus lares, o equivalente a 15% da população, por causa dos furacões.

** Com informações da Agência Brasil, WRI