O clima esquentou onde a temperatura deveria baixar. Há 50 dias da COP-21, a última semana de negociações diplomáticas, antes da conferência do clima de Paris, começou nesta segunda-feira na cidade de Bonn, na Alemanha, em clima de confronto.
Ninguém ficou satisfeito com a proposta de texto informal apresentada no início do mês pelos co-presidentes do ADP, o grupo que tenta construir o novo tratado do clima. O texto foi reduzido de 85 para 20 páginas mas, nesse enxugamento, perdeu elementos importantes para os países em desenvolvimento.
O G77, grupo que reúne nações em desenvolvimento (inclusive o Brasil), rejeitou a proposta, segundo um jornal indiano. E retornou a suspeita de que o documento é uma encomenda do governo dos Estados Unidos – uma vez que Dan Reifsnyder é americano. Os países africanos também sustentam que não se sentem inclusos nas negociações.
Os desequilíbrios apontados, há menos sobre adaptação e financiamento do que desejam os pobres e emergentes. Outro problema fundamental é a falta de uma menção mais firme à diferenciação entre nações ricas e pobres. Entre os pontos que a UE considera relevantes e que ficaram de fora do “non-paper” dos co-presidentes está a forma de tornar “operacional” uma visão de longo prazo para o novo acordo – qual será a meta para 2050 e como isso estará expresso? O texto-base não diz. Também ficaram de fora o detalhamento do processo de revisão periódica das metas, as regras para dar transparência ao cumprimento do acordo e qualquer menção às emissões de transporte marítimo e aviação internacionais.
As ONGs também reclamaram do rascunho. Segundo Jens Clausen, do Greenpeace, o que é realmente necessário é que se proponha claramente ciclos de cinco anos para ajustar a ambição – que já se sabe ser insuficiente com as propostas na mesa hoje para evitar um aquecimento global de mais de 2oC.
Mesmo com as críticas, tanto os europeus quanto a rede de ONGs Climate Action Network apontaram que houve avanços na construção de um acordo. Um dos maiores é o fato de que 150 países já apresentaram seus planos climáticos, as INDCs, que hoje cobrem 90% das emissões do mundo. Na segunda fase do Protocolo de Kyoto, o acordo climático que vale apenas para os países ricos e que foi prorrogado até 2020, apenas 10% das emissões mundiais estão cobertas por metas.
Fonte: Observatório do Clima































