Como identificar os produtos orgânicos no dia a dia

mostrar um supermercado de orgânicos
Imagem ilustrativa (Foto: Pixabay)

A preocupação com a saúde impulsiona o consumo de orgânicos nos últimos anos. Cerca 19% dos brasileiros possuem este hábito, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Organis – entidade do setor.

Os requisitos para identificação dos produtos orgânicos e o sistema participativo de garantia foram abordados durante painel da XVI Campanha Anual de Promoção do Produto Orgânico.

A Coordenadora do Núcleo Raízes do Sertão e produtora agroecológica, Paula Silva Ferreira, explica que a maioria dos consumidores têm dificuldade de entrar no Cadastro de Produtores no site do Ministério da Agricultura (Mapa).

Ferreira lista três situações em que o consumidor pode identificar orgânicos:

Feira: Veja se o produtor tem o Certificado de Conformidade de Orgânicos, que reconhece os alimentos pela certificadora e pelo MAPA. Se o produtor costuma vender algum produto que não é dele, a origem deve estar identificada no certificado. O documento deve estar exposto na barraca.

Supermercado: os produtos devem ter o selo dos orgânicos de certificação participativa e de certificação por auditoria nos rótulos ou ter uma gôndola própria.

Quitanda e espaços a granel: deve encontrar ou exigir a origem do produto, deve ter placas informativas de que o produto é certificado e qual a sua origem. 

“O mais fácil é comprar do local porque assim a relação de confiança e proximidade é maior. Quando compramos do local, superamos esses critérios”, explica a coordenadora.

Além disso, ao comprar nas feiras, os consumidores evitam produtos embalados com plástico, isopor e papel filme, assim diminuindo a geração de lixo, e devolvem os recursos financeiros diretamente para os agricultores.

Paula Ferreira defende a aproximação entre os consumidores e produtores, através de visitas nas fazendas, por exemplo, para acompanhar a forma que os produtores se organizam e como os alimentos são produzidos.

“Quando compramos um alimento orgânico ou agroecológico, nós estamos comprando uma história de vida, a história do agricultor. Mais do que nunca, o consumidor precisa entender quais os desafios que aquele agricultor tem para produzir”, explicou.

“Aqui, particularmente, temos uma grande questão de água porque estamos no semiárido. Com os consumidores conhecendo a nossa realidade, passaram a entender os desafios que nós temos para estar na feira com aquele produto semanalmente. O consumidor que conhece a nossa propriedade tem uma relação diferente com o nosso produto”, complementou.

A Coordenadora do Núcleo Raízes do Sertão ressalta que os consumidores devem evitar procurar os alimentos orgânicos pela sua aparência, já que ainda há a lógica de os orgânicos são feios, pequenos e sem padrão.

“Isso não existe mais. Nós temos produzido na escala de produção e em uma qualidade que não é possível identificar o produto orgânico pela aparência. Já superamos. Nós entendemos e investimos em tecnologia para que o produto orgânico tenha uma boa aparência, tem padrão de qualidade para ir para o mercado e que compete de igual para igual com o convencional na aparência”, afirmou.

Os consumidores também devem fortalecer os sistemas locais, as feiras, onde estão os grupos de agricultores, quais são as suas organizações. Com a pandemia, os agricultores precisaram se reinventar e essa reinvenção necessita muito do consumidor consciente do seu papel, da rotina do agricultor para não faltar alimento na mesa dos brasileiros.

“É uma via de mão dupla, a gente precisa dos consumidores e vocês precisam dos nossos alimentos”, concluiu.