Como você se sentiria?

(Foto: Yahoo)

** Maira Reis

Se você tivesse com a sua namorada ou namorado andando na rua, de mãos dadas e alguém o / a agredisse sem nenhum motivo, como você se sentiria?

Se você tivesse muito mal de saúde e quisesse passar a sua esposa / marido sua pensão (vamos supor que você a receba) e não conseguisse, como você se sentiria?

Se você tivesse andando na rua com uma turma de amigos e chegassem uns caras e lhe atacassem sem motivo, como você se sentiria?

Se você quisesse doar sangue, mas não conseguisse, como você se sentiria?

E se você fosse em uma balada e um louco (para mim só pode ser doido um ser humano que faz isso) entrasse lá atirando em todo mundo, deixando 49 mortos e 53 feridos, como você se sentiria?

A frase “como você se sentiria” é para realmente lhe trazer o que você expressa dentro de você em situações em que os direitos das pessoas são anulados. O direito da vida, de ajudar o próximo, de liberdade e de direitos ter uma pensão tranquila por casais LGBTs.

O fato é essas ações acontecem, dia após dia, em diversas capitais do mundo e/ou cidade do interior com pessoas LGBTs. Muitas coisas que as pessoas LGBTs não têm acesso são fruto da percepção de comunidade e não dá individualização de cada um. Há quem coloca a sua vida, a sua cultura e os seus conhecimentos dentro de um saco e quer distribui ele para que todos o carreguem por debaixo dos seus braços – como fiés discípulos da comunidade “nos temos saco”.

Assim a nossa individualidade, enquanto pessoas e LGBTs, ficam presas em nós sociais que impedem a nossa transgressão de normas, condutas e pensamentos. Fora a estagnação da nossa consciência… Quem não quer levar o saco debaixo do braço, ganha o status de doido, doente e “pecaminoso perante os olhos de Deus”.

É preciso romper esse ciclo do dogmatismo errôneo que leva as pessoas LGBTs a se tornarem o “bode expiatório” de péssimos políticos, pastores aproveitadores e tenebroso profissionais da saúde.

O massacre de 49 pessoas LGBTs em uma boate em Orlando, no dia 12 de junho de 2016, demonstra que a consciência que a sociedade atual tem de si e de cada membro, não está legal! As pessoas precisam deixar de lado as suas crenças ultrapassadas e começarem a entender o princípio da individualidade. Entender isso é respeitar, além da religião e das regras da justiça, a necessidade, de cada um, pelo que você é e desenvolve!

E, quem sabe, depois disso tido, podemos voltar a falar de crenças, mitos, religião, justiça e partidos políticos.

** Maira Reis é editora da Reversa Magazine, Revista Eletrônica sobre Cultura & Turismo para Lésbicas, Gays e Trans  http://www.reversamag.com


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