Um estudo publicado pela ONG The Nature Conservancy (TNC) constatou que a falta de interesse e de crédito do varejo por produtos sustentáveis pode impedir as expansão de boas práticas no ambiente rural e limitar o escopo de um projeto ambiental na Amazônia.
O principal motivo apontado é o alto custo para implementar ações sustentáveis associadas à elevação da produtividade animal sem contrapartidas de mercado. Sem os incentivos econômicos, apenas fazendas com área acima de 400 hectares poderiam mudar a sua forma de produção sem prejudicar o meio ambiente.
Para realizar o estudo, foram analisadas 13 propriedades rurais, que somam 40 mil hectares, em São Félix do Xingu, no Pará – considerado um dos principais focos de desmatamento na Amazônia e com um dos maiores rebanhos bovinos por município – e em que o projeto “Do Campo à Mesa” foi implementado.
Após sete anos do programa ter entrado em vigor, o estudo concluiu que com o projeto nenhuma fazenda precisou desmatar a floresta, já que a melhora na genética animal, a manutenção e o manejo do pasto contribuíram para mais que dobrar a produtividade.
Além disso, as pastagens estão gradativamente sendo reparadas e as áreas de preservação, como as margens dos rios, estão isoladas, garantindo a qualidade da produção e do meio ambiente.
Porém o custo médio de transição para a pecuária sustentável é alto, em relação ao que o pecuarista tem como referência. São necessários US$1.335 por hectare, o equivalente de 2,8 a 6 vezes o custo da atividade extensiva.
“Para as pequenas propriedades rurais brasileiras, nosso modelo de projeto simplesmente não serve. É muito caro”, diz Edenise Garcia, gerente-adjunta de Ciências da TNC e coautora do estudo. “Escala, nesse caso, não é factível. Funcionaria apenas para propriedades acima de 400 hectares, só que 80% delas têm menos de 300 hectares. Uma outra abordagem deve ser considerada”, diz a especialista.
Investir em um processo sustentável é essencial para conter o desmatamento na Amazônia, tanto pelas grandes propriedades, quanto pelas menores.
Porém a falta de acesso a credito, de titularidade da terra, as dificuldades de acesso ao Programa de Agricultura de Baixo Carbono e até mesmo a aversão ao risco e a tecnologia dificultam a inclusão de medidas sustentáveis em pequenas fazendas.
Outro obstáculo apontado pelo estudo “Custos, benefícios e desafios da intensificação sustentável da pecuária”, é a falta de incentivos e de demanda do mercado varejista por produtos sustentáveis na cadeira da carne, o que freia os investimentos.
“Em muitos casos, a sustentabilidade não é encorajada e valorizada, e a crise econômica brasileira limita a habilidade dos frigoríficos de assumir riscos e custos sem apoio de varejistas, cuja principal preocupação (dividida com o consumidor) é comprar carne a preço acessível”, diz o documento.
** Com informações do jornal Valor Econômico.































