Desodorante natural: o item mais libertador da migração para fórmula limpa

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Uma coisa que foi um presente na minha vida foi me libertar dos desodorantes e antitranspirantes convencionais. Tenho a pele sensível e sempre alternava entre os mais comuns do mercado para não ter alergia (Nívea, Dove, Rexona…e por aí vai).
Mas, a verdade é que nunca consegui ter um desodorante favorito, depois de um tempo de uso minha axila ficava irritada e isso era ainda pior antes de fazer a depilação a laser na área.
Eu fiquei muito desesperada durante a pandemia quando as feirinhas de produtos artesanais onde costumava comprar meus desodorantes foram inviabilizadas e foi por isso, e por ser um item de uso diário e que considero necessidade básica na necessaire de higiene pessoal, que fui atrás de aprender a fazer os meus.
Por isso, trago o tema desodorante nesse fim de ano, no sentido de inspirar a migração porque para mim realmente foi um divisor de águas (não sei vocês, mas eu adoro fazer algumas resoluções para o ano novo).
Eu não sou uma pessoa radical sobre a imposição a outras no uso de produtos naturais. Sei que isso depende de vários fatores e como hoje em dia bons produtos naturais e convencionais meio que se equivalem em preços, acho que fica um pouco por conta da vontade e disponibilidade para períodos de adaptação.
O fato é que se tem um item que vale muito a pena fazer a migração é o desodorante e entendo também que é um dos mais difíceis por múltiplos fatores, entre os quais, destaco:
  • Vivemos em um país tropical e transpiramos muito. As pessoas ficam inseguras pensando se o desodorante (seja qual for) vai segurar as diversas atividades realizadas ao longo do dia.
  • O cheiro do suor no sovaco é bem característico e as pessoas morrem de medo e vergonha do famigerado cecê.
Vamos tratar aqui um pouco da anatomia dos desodorantes e antitranspirantes convencionais, passar um pouco pelas possibilidades no natural em que comentarei um pouco os que já utilizei das marcas disponíveis no mercado.
Trago no final dicas para além do desodorante, que são muito importantes no controle dos odores da axila.
Desodorantes e antitranspirantes convencionais
Os desodorantes e antitranspirantes convencionais têm alguns ingredientes polêmicos na fórmula:
Triclosan: atua como conservante e evita contaminação microbiológica, mas é considerado tóxico porque é bioacumulável (o organismo não consegue eliminá-la) e tem potencial desregulador endócrino, ou seja, capacidade de promover no sistema endócrino humano e nos hormônios.
BHT/ BHA: substâncias de ação antioxidante e conservante. Também consideradas disruptores endócrinos.
Pegs: ingrediente usado como espessante em fórmulas cremosas. Pode conter impurezas tóxicas.
Cloridrato de alumínio: é a forma de alumínio mais comum na maioria dos desodorantes e antitranspirantes. É um metal pesado que penetra na pele e no organismo.
Fragrâncias sintéticas: não são necessariamente ruins, mas são fragrâncias fabricadas em laboratório.
Já os desodorantes naturais…
É preciso ressaltar que no universo natural não são encontrados antitranspirantes, pois impedir a transpiração é uma dinâmica antinatural. Em casos de sudorese excessiva, é aconselhado o tratamento médico, sendo uma opção a aplicação de toxina botulínica.
Quando analisamos os ingredientes, os empregados nos desodorantes naturais são bem distintos dos que mencionei nos convencionais.
Nos desodorantes cremosos, por exemplo, bicarbonato de sódio, amido de milho, argila branc, polvilho e até tapioca são ingredientes comuns para conter a transpiração sem impedi-la. É comum que isoladamente ou em conjunto eles apareçam em algumas fórmulas em pó também, tanto para uso nos pés como para uso nas axilas.
Para garantir textura cremosa, são empregados ingredientes como óleo de coco (potente para hidratação e com características hidratantes, antioxidantes e antifúngicas) e manteigas como a da karite e a de mumuru. Alguns fabricantes ainda usam ceras como a de abelha ou a de carnaúba para uma textura ainda mais consistente.
Nas formulações líquidas, leite de magnésia e hidrolatos são comumente empregados. Na fragrância, independentemente da apresentação, são usados óleos essenciais. Geralmente, a combinação contém óleo essencial de melaleuca, devido às propriedades antissépticas e fungicidas dessa matéria-prima.
Ainda há os cristais, que são feitos a partir de um sal natural: o alúmen de potássio. Há opções da Alva e da Lafe’s nessa categoria, mas eu confesso que nunca testei. Particularmente não me agrada muito a maneira de aplicação, que é molhar e passar na axila. Na cobertura da Naturaltech que fiz para esse portal, até mencionei a iniciativa da Herbia de vender o desodorante em cristal com um spray líquido. Vale conferir se você gostar da ideia.
Desodorantes naturais disponíveis no mercado
Por conta de ter aprendido a fazer, eu tive pouca oportunidade de testar os de mercado. Antes da pandemia eu era superfã do desodorante líquido da Oleá Saboaria e do desodorante cremoso da Cacau e Cura. Tanto que me inspirei bastante nessas composições para a fórmula dos desodorantes da Cheimelier.
Depois, já usando as minhas criações, me abri para testar algumas coisas e os escolhidos foram o desodorante líquido da Almanati e o desodorante líquido da Ahoaloe em collab com a Alva.
O da Almanati é feito com prebiótico e tem um cheiro delicioso de sálvia e lavanda. Tive, no entanto, experiência desagradável com a embalagem, que não funcionou no primeiro momento, me obrigando a trocar. A marca me atendeu prontamente, mas não consegui usar até o final o produto que recebi depois da troca porque o spray emperrou novamente.
Já o desodorante líquido collab da Ahoaloe e da Alva tem como matérias-principais a babosa orgânica e o alúmen de potássio. Guardei para os dias de temperaturas mais amenas porque achei que não cumpre a função nos dias mais quentes e nem nos treinos mais intensos na academia. Conto que também não gostei muito do cheiro, mas essa é uma questão extremamente subjetiva.
Cuidados além do desodorante
O produto desodorante que você usa não é a única maneira de manter uma axila saudável e livre de odores desagradáveis. Alguns hábitos podem ajudar a ter mais tranquilidade e sucesso nesse sentido:
– Uso de roupas de tecidos naturais como linho e algodão. Faz muita diferença. Tecidos sintéticos prejudicam a ventilação e causam maus odores, além de irritar a axila no atrito com a peça.
– Na hora do banho, dê preferência a sabonetes naturais, sobretudo os que contêm argila na fórmula.
– Cuide da lavagem das roupas com produtos naturais, o que é um caminho para evitar alergias e alterações na região da axila. Eu recomendo a leitura da coluna do mês passado sobre os produtos de limpeza de fórmula limpa.
Receitinha para detox nas axilias
Por fim, deixo uma receitinha para um detox nas axilas que leva uma matéria-prima que amo muito: argila.
De tempos em tempos, quando sentir necessidade, faça um spa de axila (o que, além de ser o luxo do luxo nos rituais de autocuidado, é muito gostoso e benéfico). Você vai precisar de ingredientes bem simples:
– 2 colheres de sopa de argila verde
– 4 colheres de sopa de hidrolato de melaleuca (se não tiver hidrolato, use água)
Misture os ingredientes de forma a obter uma pasta homogênea e consistente. Faça o teste da colher. Vire para baixo com a mistura, o ideal é não cair. Confesso que não sou extremamente apegada a medidas e faço de olho. Se você vai fazer pela primeira vez, atente-se mais à textura do que à quantidade dos ingredientes.
Aplique a mistura nas axilas com a ajuda de um pincel para evitar sujeira. Espere até os momentos que as bordas começarem a secar e enxague com água em abundância.
Se você preferir uma ação clareadora na axila por conta do escurecimento provocado pelo atrito com roupas ou pela depilação, use argila branca no lugar.
Eu costumo comprar argila da Terramater porque é de excelente qualidade na Use Orgânico. No market place você vai encontrar opções de hidrolato também, mas se preferir comprar hidrolatos em outro lugar, eu recomendo a Oshadhi.
Espero que esse texto sobre desodorantes naturais traga algum encorajamento para você testar mais itens de fórmula limpa no ano que vem. Que 2024 traga muitas alegrias para você e para os seus. Volto no fim de janeiro. Ainda não defini a temática, se iniciamos a jornada de produtos de fórmula limpa para pele ou para o cabelo, vou usar esses dias finais do ano, em que costumo me entregar a algumas reflexões e balanços para decidir. Só sei que vai ser incrível. Nos reencontramos em breve!
Ana Carolina Barbosa é jornalista, especialista em marketing de conteúdo na Cabrun!, aprendiz de perfumaria botânica na Cheimelier e grande entusiasta do universo de cosméticos naturais.