Domingo é sempre um dia que remete ao lazer, descanso “dolce fare niente”, além de visitas familiares, macarrão da “mamma”, etc.
Pois, nesse domingo que passou, resolvi ver como andavam os parques da cidade, já que o noticiário dava conta de que o contrato da prefeitura com as organizações que terceirizam o serviço de segurança terminou e não foi renovado.
Investido da função de repórter, decidi conversar com pessoas que eu nunca vi na vida, independente da idade, cor, credo religioso e fiquei surpreso com o que ouvi…
Uma sexagenária, usando bermuda e camiseta bem decotada disse-me que “o parque já foi bom”, porque hoje não se pode caminhar com tranquilidade, já que as pessoas não respeitam quem é mais velho.
Ela se referia a uma grande porção de jovens que invadem os parques, em duplas, trios ou bandos à procura do famigerado Pokémon, já que eles não olham por onde andam e ficam absortos na tela de seus celulares em busca de mais e mais pontos.

Notei, também, que muitos não se preocupam em andar ou correr pela direita, o que provoca esbarrões e até sustos quando surgem do nada, mas, em sentido contrário.
Conversei com uma jovem que estava com seu filho de dois anos, que disse “estar achando o máximo”, pois podia andar empurrando um automóvel de plástico em que seu garoto fazia pose de motorista.
Um frequentador assíduo, segundo ele próprio, com mais de setenta anos, reclamava do excesso de pessoas com cães soltos e até daqueles que estavam presos, mas, resolviam namorar ou dar um cheiro no meio do caminho, trançando guias e, muitas, vezes, dando verdadeiros nós em seus donos. Ele acha que devia haver um espaço para quem quer “dar asas ao seu cão”, como se estivesse em casa.
Uma grávida de oito meses fazia poses enquanto o marido, fotógrafo profissional, procurava diferentes ângulos para eternizar seus cliques e mostrar ao rebento no futuro. Para o casal, “estava tudo maravilhoso, apesar da ansiedade crescente”.
Por fim, falei com uma garotinha e perguntei o que ela gostaria de ganhar no Dia da Criança. Ela olhou bem para mim e perguntou: “Por que você quer saber”? Diante da resposta inesperada, minha reação foi mais lenta e eu engatei: Estou fazendo uma pesquisa para uma empresa… Ela, mais do que depressa, completou: “Quero ganhar um tablet, mas, minha mãe não quer me dar!”.
Ao final da caminhada, fiquei me perguntando: O que será que as outras centenas de pessoas (com as quais eu não conversei) acham de passar um domingo no parque? Será que compensa???
































