Ulisses Sabará – embaixador brasileiro do Pacto Global

(Foto: Reprodução)

Para muitas pessoas, a natureza é algo distante da sua realidade, porém o que elas não percebem é que a biodiversidade está em todo o lugar. Ela representa o conjunto de todas as espécies de seres vivos, sejam plantas, animais, humanos e até mesmo microorganismos, existentes no planeta.

Além disso, a biodiversidade é responsável pelo nosso alimento, pela energia que usamos todos os dias, além de ser o habitat da fauna e da flora e a fonte de sustento de milhares de famílias.

Os produtos orgânicos, independente da sua forma, são apenas um exemplo de que é possível unir economia, sociedade e meio ambiente, de forma que todos sejam beneficiados. Com o incentivo ao desenvolvimento sustentável, a biodiversidade se tornou, nos últimos anos, uma aposta de muitas empresas para o futuro, principalmente no Brasil.

O Organics News Brasil entrevistou o presidente do Grupo Sabará e embaixador do Pacto Global, Ulisses Sabará, sobre o mercado de produtos orgânicos e o futuro sustentável.

ONB: Uma pesquisa recente da APAS mostrou que o brasileiro está mais consciente sobre a sua alimentação e buscando uma vida mais saudável. Qual a importância de um evento que promove os produtos orgânicos?

Ulisses Sabará: A gente trabalha com cadeias sustentáveis em que toda ela está ligada ao nosso produto, então quando estamos aqui [em um evento] representando centenas de famílias da floresta e que podem trazer produtos saudáveis para a nossa mesa. E é fantástico, acho que a ideia é sensacional.

ONB: Qual a perspectiva do mercado em relação aos produtos orgânicos?

Ulisses Sabará: O número oficial para 2015, que foi um ano totalmente perdido para o Brasil, foi de um crescimento de 30%. No ano passado, 20% e esse ano, deve ficar acima de 20%. Ou seja, nós temos um mercado crescente que não é, na minha opinião, uma tendência passageira. Acho que a saúde é algo que vem pra ficar. Todos nós valorizamos isso, que tem a ver com a nossa pele, nosso cabelo, nosso jeito de ser, nosso bem estar, então, eu acho que tem tudo a ver. E o crescimento deve ser meteórico.

ONB: O senhor está a frente da Beraca e é embaixador do Pacto Global. Como a Beraca está trabalhando para conscientizar as pessoas sobre o desenvolvimento sustentável e os objetivos de desenvolvimento da ONU?

Ulisses Sabará: Nós somos um grupo de empresas. A Beraca é a parte cosmética disso, de ingredientes cosméticos, e nós temos a [empresa] Concepta, que é a parte de alimentos. E para o nosso grupo, os ODS são uma bússola. Nós estamos falando da Agenda 2030, nós estamos falando de um movimento que visa terminar a fome, combater a questão climática. A ODS que eu represento, a número 15, que é a questão da biodiversidade, temas que são super atuais. Então como a gente chega lá? A Agenda 2030 – os ODS – é justamente a bússola, a direção que nós precisamos ter de como atingir. Existem vários grupos se reunindo para conversar e trazer melhores práticas para que a gente atinja isso.

Dentro da minha empresa, eu tornei isso uma prática, então não só para os meus colaboradores, são mais de 300, para as suas famílias, a gente promove eventos, manda cartilhas pela nossa intranet e as nossas comunicações, e a nossa rede de fornecedores com os quais nos relacionamos. Então, a ideia é espalhar a informação para que mais pessoas e empresas estejam envolvidas na Agenda 2030.

ONB: Nessa semana, a Câmara dos Deputados aprovou duas medidas provisórias que diminuem a área de conservação da Amazônia. Como isso pode afetar as metas brasileiras para o Acordo de Paris?

Ulisses Sabará: Infelizmente a agenda do nosso congresso não é a agenda da nossa população. Se você perguntar para as pessoas o que elas acham disso, eu duvido que alguém em diga conscientemente que isso é saudável. O nosso plano, que tínhamos antes da aprovação dessas medidas provisórias, já não era aquilo tudo de bom, principalmente porque a gente não tem controle. Mas diminuir as nossas áreas verdes é um retrocesso. O que nós precisamos é dar condições para que as populações das florestas possam “explorar” os seus jardins, para que eles possam conviver tendo saúde, alimento e podendo ganhar dinheiro – no melhor sentido da palavra – com aquilo que eles têm, porque é propriedade do Brasil. Então na minha opinião, é um grande retrocesso que foi feito e espero que com tudo o que está acontecendo no país, também estas questões sejam revisadas.

ONB: Nesse cenário, qual a perspectiva para o segundo semestre do Pacto Global?

Ulisses Sabará: O Pacto Global deve ter uma reunião em outubro e continua crescendo. Eles vão convocar novos pioneiros, como nós fomos, aqui do Brasil. Está havendo um movimento que integra outros países dentro do Pacto Global para que seja mais ativo. Então eu acredito que o que começou no ano retrasado, com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, possa ganhar realmente uma escala muito maior, porque a nossa agenda é muito curta. O prazo que nós temos para atingir os objetivos é muito curto. Então, infelizmente no Brasil, nós estamos discutindo questões que não tem a ver com isso. Novamente, a nossa agenda não é a agenda que deveria estar discutindo isso porque nós temos coisas mais urgentes – não digo mais importantes – mas mais urgentes para resolver.

Eu espero que essas questões sejam resolvidas rapidamente e o Brasil volte aos trilhos e possa sim participar ativamente, porque o Brasil é a maior fonte de biodiversidade do planeta, a questão do clima tem tudo a ver com as nossas matas, os nossos rios, nossa costa e com o nosso povo. Então tomara que isso seja retomado brevemente.