Ethos lança mapeamento de fundos de investimento para financiamento climático

(Foto: Pixabay)

Nesta quarta-feira (27), o Instituto Ethos lança o relatório “Financiamento climático para adaptação no Brasil”, um mapeamento inédito que visa identificar as principais fontes de recurso para o financiamento climático para o Brasil se adaptar às mudanças climáticas.

Desenvolvido pelo World Resources Institute (WRI), em parceria com o WWF-Brasil, o estudo identificou 28 fundos internacionais e 20 nacionais como potenciais fontes de investimento para organizações brasileiras.

A maioria dos investimentos são para mitigação, com destaque para investimento em energia, agricultura e água, setores prioritários no Plano Nacional de Adaptação (PNA), lançado pelo Ministério do Meio Ambiente no ano passado.

“O foco do investimento em adaptação é crucial para apoiar os países na elaboração de estratégias de adaptação e resiliência aos impactos da mudança do clima. Contudo, inevitáveis diferenças entre os custos estimados para nos adaptarmos e o quanto de recurso já existe é muito grande”, comenta Flavia Resende, coordenadora de práticas empresariais e políticas públicas do Instituto Ethos.

“O relatório ‘The Adaptation Gap Report’, da UNEP, indica que para cumprir com as reais necessidades, precisamos aumentar em até 13 vezes o financiamento para adaptação a realidade brasileira. Preparar os territórios para estes fenômenos é primordial, é assumir que a mudança do clima já acontece e que temos que nos adaptar”, ressaltou Flávia Resende.

O estudo também avaliou como as empresas vêem as questões das mudanças climáticas em seus negócios e como elas estão agindo sobre o tema.

Apesar de metade das empresas entrevistadas declararem que incorporam os riscos climáticos à sua cadeia de valor, o estudo revelou que o engajamento com ações de adaptação ainda é pequeno.

De acordo com a pesquisa, 56,25% afirmaram que não possuem nenhuma avaliação periódica sobre vulnerabilidade climática; 37,5% possuem um plano e 6,25% não souberam responder.

Para as empresas, as principais barreiras para aumentar o investimento em ações para a resiliência climática são: alto custo, falta de políticas públicas ou incentivos do governo, e escassez de informações sobre métodos, ferramentas e dados climáticos.

Entretanto, as companhias notam uma oportunidade de crescimento com adaptações desses obstáculos, como a redução dos custos, a oportunidade de criar produtos e serviços e o fortalecimento da reputação da marca. Neste sentido, linhas de crédito bancário e fundos internacionais seriam as fontes de investimento preferidas.