Grandes empresas de moda estão longe de atingir metas climáticas

desfile de moda
(Foto: Flaunter/ Unsplash)

Mesmo com a indústria da moda sob pressão para adotar uma posição em prol do meio ambiente, as 15 maiores empresas estão atrasadas no cumprimento de metas sociais, do Acordo de Paris e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), segundo novo relatório do Business of Fashion.

O estudo analisou os dados de 15 companhias, sendo cinco do setor de luxo, cinco grandes marcas e cinco de roupas esportivas.

O levantamento pontuou as empresas de 0 a 100 de acordo com o progresso feito em 16 metas relacionadas em seis temas: emissões de CO2, tratamento de resíduos, direitos dos trabalhadores, uso da água e de produtos químicos, materiais, e transparência sobre as práticas adotadas.

“Com menos de dez anos para alcançar o objetivo global sobre o clima e o desenvolvimento sustentável, o tempo se esgota e já não é suficiente declarar uma intenção de mudança”, diz o estudo.

Nenhum dos grupos ultrapassou 50 pontos. O relatório concluiu que as empresas estão mais propensas a divulgar informações sobre as metas do que fazer ações concretas para cumpri-las.

A empresa Kering, proprietárias de marcas como Gucci e Saint Laurent, ocupou o primeiro lugar do ranking com 49 pontos. Em seguida estão: PVH (com 41 pontos), Hermès (32 pontos), a LVMH (30 pontos) e a Richemont (19 pontos).

Kering e a Nike tiveram o melhor desempenho em transparência, enquanto PVH Corp, Levi Strauss e VF Corp tiveram a melhor classificação em seus esforços para reduzir as emissões. Em contrapartida a Under Armour recebeu notas baixas em todas as classificações, com exceção da categoria de direitos dos trabalhadores.

“Entre as grandes empresas da moda, muitas ainda não sabem ou não revelam de onde provêm seus produtos, e quanto mais abaixo se encontra na rede de abastecimento, as coisas são mais nebulosas”, destaca o relatório. “Isto abre a via à exploração e às violações dos direitos humanos, e cria dificuldades para medir o impacto ambiental da indústria”.

A publicação faz parte de uma série de análises apoiadas nos “índices de sustentabilidade” que a Business of Fashion publicará antes da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 26).

Meta

O diretor de Imagem e Meio Ambiente da LVMH, Antoine Arnault, anunciou que a companhia considerada o maior player mundial da moda de luxo se compromete a ter um impacto neutro na biodiversidade até 2030.

Arnault afirmou que a empresa não usará mais matérias-primas com origem em áreas de desertificação e desmatamento até o fim da década, em todas as suas cadeias produtivas. Ele ressaltou que com os avanços tecnológicos e com outras empresas trabalhando para encontrar soluções sustentáveis, permitirão a LVMH ter um crescimento sem poluição em 10 ou 15 anos.

“Até esta data, também teremos implantado agricultura regenerativa para todos os nossos insumos estratégicos: uva, algodão, lã, couro ou óleo de palma”. E até lá, 5 milhões de hectares de habitat para flora e fauna serão reabilitados pela LVMH.