Abraço Guarapiranga chama a atenção para a descarga de esgoto no reservatório

Foto- Divulgação
“CHEGA DE ESGOTO EM NOSSA REPRESA”
Abrindo a Semana do Meio Ambiente, o Abraço Guarapiranga 2023 será realizado amanhã, domingo, 04 de junho, no Parque da Barragem, zona sul da capital paulista. Trata-se da mais tradicional manifestação popular em defesa das fontes de água da região metropolitana de São Paulo. Em sua 17ª edição, o Abraço, como é carinhosamente conhecido, terá como tema o combate ao lançamento de esgoto sem tratamento nos cursos d’água, em especial na própria represa.
Os movimentos e organizações envolvidos no Abraço cobram medidas urgentes para conter a destruição das fontes de água, sobretudo das represas de Guarapiranga e Billings, sufocadas pela degradação dos seus mananciais e pelo despejo de resíduos de todo tipo nos seus corpos. Além de pressionar o poder público por melhorias, o evento tem como objetivo mobilizar e alertar a população, empresas, a imprensa e todos os níveis de governo para a urgência na construção de uma nova cultura de cuidado com a água.
Hoje a poluição da Guarapiranga, por exemplo, é visível, inclusive na cobertura de uma camada de macrófitas que se expandiu recentemente. Estas plantas se multiplicam rapidamente em ambientes aquáticos pobres em oxigênio e ricos em nutrientes orgânicos, oriundos basicamente do esgoto sem tratamento lançado nos corpos d’água.
A Guarapiranga tem produção de 15m³ de água por segundo e abastecendo cerca de 5 milhões pessoas, a represa do Guarapiranga integra o segundo maior sistema de produção de água de São Paulo. Criada há 117 anos, a Represa é indispensável ao abastecimento de água da capital paulista, uma vez que a região mais povoada do País possui baixa oferta de água. Lamentavelmente, grande parte do esgoto produzido na Bacia Hidrográfica da Guarapiranga é lançado diretamente nos córregos que deságuam na represa. As inúmeras estações elevatórias do sistema Guarapiranga estão danificadas e não bombeiam o efluente para que receba o devido tratamento. Ou seja, a própria concessionária dos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgotos é quem despeja os dejetos irregularmente nos cursos d’água, chegando ao reservatório. Com isso a Guarapiranga, nossa gigantesca caixa d’água, está se transformando em uma enorme lagoa cheia de um líquido impróprio para o consumo humano.
Além disso, vem ocorrendo nos últimos anos uma pandemia de loteamentos criminosos que destroem o pouco que resta de área verde no entorno da represa. Bairros inteiros são erguidos à margem da lei, sem licença, planejamento ou infraestrutura. Loteadores criminosos ludibriam famílias que almejam uma moradia, mas acabam adquirindo terrenos ilegais, muitas vezes sem saber, contribuindo inclusive para aumentar o volume de esgoto e lixo despejados na Guarapiranga. Esta ocupação desenfreada das áreas de mananciais também é responsável pela supressão da mata nativa, responsável por assegurar a produção e a qualidade das águas.
Isso acontece porque as áreas verdes remanescentes no entorno da Guarapiranga prestam enormes serviços ambientais, uma vez que atuam como “esponjas”, absorvendo a água em épocas de chuva e liberando-a gradualmente em períodos de seca. Assim, estas “florestas” aumentam a permeabilidade e a retenção da água no solo, garantindo a recarga dos aquíferos e servindo de refúgio para animais silvestres, o que contribui enormemente para o equilíbrio climático de toda a metrópole. Vale lembrar que a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) possui uma disponibilidade hídrica de apenas 143 metros cúbicos por habitante/ano, apenas 1/10 da disponibilidade hídrica ideal segundo a ONU (de 1.500 a 2 mil metros cúbicos por habitante/ano). O tema é sério, relevante e requer atenção de toda a sociedade.
Paulistanos participem!