Hidratantes corporais naturais: um banquete para a pele

Voltei para falar de um dos produtos mais apaixonantes para quem gosta de cosméticos de forma geral: os hidratantes corporais. Escolhi esse tema na sequência do texto de estreia da coluna, em que tratei do tema perfumes, porque acho que é um dos itens mais fáceis para quem quer iniciar uma jornada de substituição de cosméticos tradicionais para os naturais.
Acho legal falarmos um pouco da anatomia de um hidratante corporal para que você entenda por que provavelmente você vai se apaixonar logo de cara se der a sorte de comprar um bom. Vamos lá.
Parte óleo, parte água, um banquete para a pele
Eu já fiz uns cursos sobre produção artesanal de cremes e uma característica evidente desse produto é um processo de produção dividido em parte água e parte óleo, pois a função básica do creme é repor água e óleo na pele. Mas, se você se lembra um pouco das aulas de química, sabe que água e óleo não se misturam. Pois é…
Por isso, é preciso emulsificar essa mistura. Quem já fez maionese caseira sabe do que estou falando. Você muda a textura da mistura de ovo e temperos ao adicionar óleo vagorosamente e em fio, mantendo a velocidade do liquidificador no máximo.
Dessa forma, os ingredientes básicos de um hidratante corporal natural (ou biocompatível como muitas marcas dizem) são:
  • Água
Aqui a água tem que ser destilada, deionizada ou desmineralizada, tá? Mas também pode-se recorrer hidrolatos, águas florais ou influsões.
  • Óleos
Todos os óleos vegetais, preferencialmente extravirgens e sem refino e manteigas, que viram óleos quando derretidas. Eu amo cremes à base de manteiga de karité ou murumuru que levam óleo de semente de uva na composição, por exemplo.
  • Conservantes
Não vou entrar em termos técnicos, mas há alguns conservantes que podem ser usados na cosmética natural e têm a função de proteger o produto de mofo ou bolor.
  • Emulsificante
Mantém água e óleo juntos, sem separar. Não são produtos 100% naturais e há uma lista dos que podem ser usados na cosmética natural.
  • Aditivos
São muitos e o perfume (composto por óleos essenciais) entra nessa categoria. Aqui entram espessantes, umectantes e ativos botânicos, como o aloe vera em pó.
Posto isso, há uma infinita variedade de composição de cremes hidratantes e a textura e espessura vai depender de como a fase água e óleo é calibrada na fórmula. Se a parte da água é maior proporcionalmente, mais leve o hidratante será. Ao contrário, se a fase óleo for mais enfática, mais encorpado o creme será.
Eu acho que é um dos produtos mais fáceis para começar uma transição porque todos esses elementos citados são biocompatíveis, ou seja, não causam danos ou rejeição no sistema biológico em que é introduzido. Nossa pele se nutre de óleos vegetais. Por outro lado rejeita os minerais, que não têm cumprem reposição de óleo, mas formam uma barreira que mantém e evite umidade, mas não repõe.
É muito simples fazer o teste: passe vaselina em determinada área de seu corpo e um óleo vegetal qualquer, pode ser o de azeite de oliva, que tem em quase toda casa, em uma área semelhante ao longo de uma semana e veja como cada uma fica ao fim do período de teste.
Agora vamos aos meus experimentos com cremes hidratantes.
  • Uso muito as manteigas hidratantes da Aho Aloe e acho fantásticas sobretudo no inverno.
  • O meu creme de textura favorita da vida é o Mãe, da Almanati. É um creme sem cheiro, o que acho bem interessante porque dá para compor a fragrância com um óleo perfumado para selar ou deixar o perfume para o perfume mesmo. Aliás…
  • Sei que é um tanto complicado pelo curto tempo que temos para o autocuidado na rotina muitas vezes, mas experimente borrifar um hidrolato (você encontra em vários lugares, mas eu uso e recomendo os da Oshadhi ou os da Eco Care), espalhar o hidratante e finalizar com um óleo vegetal levinho. O de semente de uva é perfeito, mas pode ser o de amêndoas ou abacate, por exemplo. A hidratação fica bem mais potente e dá um glow incrível. Se testar, me conta depois lá no meu insta @cheimelier.
  • Vale a pena procurar artesãs e artesãos que fazem cremes hidratantes. Geralmente há bons achados. Durante um tempo usei o hidratante de alecrim e patchouli da Irene Ri e gostei muito.
  • Em outros momentos, usei a manteiga hidratante da Soapy. Textura incrível também!
  • Já usei hidratantes em spray, com o After Sun, da Be Plus Natural Care. Bacana que o mercado tenha opções para todos os gostos, mas eu prefiro uma fórmula mais cremosinha mesmo.
  • Lembre-se sempre de hidratar de dentro para fora. Água é sempre o item mais importante do autocuidado.
E aí? Gostou das dicas? Quando eu voltar, em setembro, já estaremos em uma primavera iluminada e vou trazer tema importantíssimo e um tanto polêmico: filtro solar.
Ana Carolina Barbosa é jornalista, especialista em marketing de conteúdo na Cabrun!, aprendiz de perfumaria botânica na Cheimelier e grande entusiasta do universo de cosméticos naturais.