Manaus está entre as regiões mais afetadas pela mudança climática

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(Foto: Stephane Mahe/ Reuters)

Qual a velocidade com que a mudança climática atingirá a África ou os EUA? Qual será o seu impacto nas cidades tropicais, nas florestas ou na agricultura? Que país será atingindo com mais força?

Estas são algumas das perguntas que têm norteado o trabalho de cientistas ao redor do mundo para conter o aquecimento global e os seus efeitos. Quinze dos 16 anos mais quentes na história foram registrados desde o início do século e fenômenos, como ondas de calor, secas, inundações e alteração nos padrões de chuvas, são observados globalmente.

Para diminuir os impactos causados pela mudança climática, países se uniram para frear as emissões de gases poluentes e combater o aquecimento global. Porém a falta de detalhes específicos e as diferentes prioridades dos governantes se transformaram em obstáculos para colocar as medidas em prática.

Com base na análise de diversos modelos científicos e a observação das mudanças climáticas, cientistas desenvolveram uma avaliação subjetiva que determina os sete hotspots do mundo onde os impactos climáticos serão maiores:

– Murcia, Espanha: Um estudo realizado pelo Instituto Mediterrâneo de Biodiversidade e Ecologia, na França, constatou que se não houver uma redução drástica nas emissões de gases poluentes, grande parte do sul da Espanha e a bacia do Mediterrâneo se tornarão desertos.

O diretor científico do Instituto, Wolfgang Cramer, e o paleoclimatologista Joel Guiot, autores do estudo, também alertaram que com o aumento da temperatura, os desertos se expandiriam no Oriente Médio e os ecossistemas que não são vistos no mediterrâneo há mais de 10 mil anos poderiam se desenvolver.

“Estamos mais certos da tendência de secagem na região do que quase em qualquer outro lugar do planeta. As temperaturas aumentaram 1ºC globalmente, mas 1,4ºC na região do Mediterrâneo. A tendência é que ele se torne cada vez mais quente. Mais dióxido de carbono na atmosfera significa temperaturas crescentes, menor precipitação e mais secagem que leva à desertificação”, disse Cramer ao The Guardian.

– Dhaka, Bangladesh: Um estudo apresentado pelo diretor do Centro Internacional de Mudanças Climáticas e Desenvolvimento, Saleemul Huq, estima que “nos próximos 20 anos, cinco a 10 milhões de pessoas tenham que se mudar das áreas costeiras”.

Segundo o diretor, os efeitos da mudança climática em Dhaka já são sentidos. “Bangladesh tem uma longa história de inundações. O que costumava ser um evento de um ano em 20 anos agora acontece um ano em cinco”, explicou.

A perspectiva é de que os padrões de chuvas serão distribuídos nos próximos anos de forma que aumentem as inundações e as secas.

– Mphampha, Malawi: Apesar dos dados climáticos serem escassos no continente africano, estudos revelaram que as secas serão mais frequentes e a segurança alimentar será ameaçada. No final do ano passado, por exemplo, a temperatura no sul do Malawi aumentou para 46º C.

“O clima está mudando. Agora plantamos milho no final de dezembro ou até janeiro. Costumávamos fazer isso em novembro”, disse Elvas Munthali, um trabalhador auxiliar de Malawi.

A história é parecida em quase todos os países do sul da África. De acordo com dados do IPCC, as temperaturas anuais médias aumentaram quase 1ºC entre 1960 e 2006. A previsão é que as temperaturas médias subam até 3ºC em 2060 e até 5ºC, em 2090.

– Longyearbyen, Noruega: A cidade de Longyearbyen, no arquipélago de Svalbard, próxima ao Polo Norte, registra geralmente temperaturas perto de -10ºC. Em abril deste ano, a média foi de – 4ºC, 8º graus mais quente do que a média de 30 anos para esta época do ano.

“Nenhuma região do planeta está experimentando mudanças climáticas mais dramáticas do que o Ártico”, afirma Kim Holmén, diretor internacional do Instituto Norueguês Polar, que viveu na região de Svalbard por 30 anos.

De acordo com estudos, as mudanças que estão acontecendo no Ártico terão impacto em diversos lugares com o derretimento das camadas de gelo.

“O que está acontecendo aqui é um caso muito óbvio de mudança climática com conseqüências para animais, plantas e humanos”, diz Holmén. “Está acontecendo em todo o Ártico muito mais rápido do que pensávamos ser possível, e expectativa agora é ver um Ártico isento de gelo em 20 ou mais anos”.

– Manaus, Brasil: Com mais de 2 milhões de habitantes, a cidade de Manaus e a região Amazônica estão mudando rapidamente. Em 2015, por exemplo, a temperatura subiu para 38,8 ºC impulsionada principalmente pelo desmatamento da floresta, causando estações secas mais longas do que as registradas há uma década.

“Em muitas partes da América do Sul continental, verifica-se o aquecimento do 1ºC na Amazônia, que pode ser atribuído principalmente ao aquecimento global. Em áreas como Rondônia, onde houve desmatamento generalizado, vemos um aquecimento adicional de 1ºC devido à substituição da floresta – que é uma vegetação de alta evaporação – para pastagem, que está menos evaporando”, explicou Carlos Nobre, um dos principais climatologistas do Brasil.

Segundo o pesquisador, se o desmatamento continuar, a Amazônia irá gradualmente se transformar em Savana, intensificando o aquecimento global. “Quando vemos uma estação seca de mais de quatro meses, ou o desmatamento de mais de 40%, não há como voltar. As árvores desaparecerão lentamente, e em 50 anos veríamos uma savana degradada. Levaria 100-200 anos para ver uma savana de pleno direito”, alertou.

– Nova York, Estados Unidos: Uma avaliação e pesquisa nacional sobre o clima nos Estados Unidos revelou que Nova York é um dos hotspots. Entre os efeitos da mudança climática estão: o aumento em 1,3ºC desde 1970 nas temperaturas no estado, o início mais cedo da primavera e menos neve no inverno.

As últimas projeções climáticas prevêem que, em 2050, os níveis do mar podem subir quase 76 centímetros e as inundações serão mais comuns nas áreas costeiras. Além disso, diversas doenças como o vírus do Nilo Oriental podem prevalecer.

– Manila, Filipinas: As Filipinas são um dos países mais atingidos pela variação no clima, como o aumento do nível do mar, altas temperaturas e fenômenos climáticos extremos.

De acordo com os cientistas, apesar de o país ser atingido por menos tufões a cada ano, eles têm apresentado mais intensidade. As tempestades tropicais também são estão mais intensas, as inundações estão mais frequentes, as noites são mais quentes e há menos dias frios.

“Houve um aumento significativo [nos últimos 30 anos] no número de dias quentes e noites quentes e uma tendência decrescente no número de dias frios e noites frias. Eventos de precipitação extrema estão se tornando mais frequentes. Na maioria das partes, a intensidade das chuvas está aumentando”, disse Alicia Ilaga, chefe da mudança climática no departamento de agricultura do governo.

** Fonte: The Guardian