Menos de 20% dos alimentos produzidos no mundo terminam no lixo

(Foto: Pixabay)

Cerca de 931 milhões de toneladas de alimentos foram desperdiçadas no mundo em 2019, segundo novo Índice de Desperdício de Alimentos 2021 da Organização das Nações Unidas (ONU).

O levantamento apresenta a coleta, análise e modelagem de dados mais abrangentes até o momento sobre o desperdício alimentar em pontos de venda, restaurantes e residências, para determinar uma nova estimativa de perdas globais de alimentos.

Dos 931 milhões de toneladas de comida desperdiçada, 61% têm origem nas residências, 26% vem de serviços alimentícios e 13% do varejo. Com estes dados, a ONU estima que 17% da produção global de comida pode ser desperdiçada.

Em nível global per capita, os consumidores desperdiçam 121 quilos de alimentos por ano, sendo 74 kg em residências, 32 kg em serviços alimentares e 15 kg pelo varejo. No Brasil, cada habitante desperdiça 60 quilos de comida no ambiente doméstico por ano, cerca de 12 milhões de toneladas por ano.

Segundo o relatório, por muito tempo, o desperdício de alimentos nas residências foi um problema subestimado. De acordo com os novos dados, a alimentação em residências e de serviços de alimentação são mais do que o dobro da estimativa anterior da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

“Se a perda e o desperdício de alimentos fossem um país, seria a terceira maior fonte de emissões de gases de efeito estufa. O desperdício de alimentos também sobrecarrega os sistemas de gestão de resíduos, exacerba a insegurança alimentar, tornando-se um dos principais contribuintes para as três crises planetárias de mudança climática, perda de natureza e biodiversidade, poluição e resíduos”, afirma Inger Andersen, diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

A ONU pede para os países incluírem o desperdício de alimentos nas suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) do Acordo de Paris, tanto para reduzir as emissões de gases poluentes, como também para fortalecer a segurança alimentar e atingir as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).