Agro digital: Soluções de conectividade para o agronegócio

(Foto: Joao Marcelo Marques/ Unsplash)

A incorporação da conectividade, da inteligência artificial e de robôs no campo é apontada como a próxima grande revolução da agricultura e uma ferramenta essencial para garantir o alimento de 9,8 bilhões de pessoas até 2050.

O potencial uniu a Nokia, TIM, BRDigital, BRFibra e outras empresas de tecnologia para viabilizar a digitalização do agronegócio e atender a necessidade de equipamentos tecnológicos que aumentem a produção através da conectividade com o projeto “4G TIM no Campo”.

O desenvolvimento e o barateamento de ferramentas antes inacessíveis aos produtores impulsionam a agricultura de precisão, que aumenta a possibilidade do agricultor controlar tudo o que acontece dentro da sua fazenda, inclusive identificar problemas na lavoura e os riscos de perda da safra.

“A conectividade das máquinas e das pessoas permite o controle e o acompanhamento em tempo real das colheitadeiras e dos tratores da fazenda, assegurando decisões rápidas, com redução de custos, melhor manejo das lavouras e maior velocidade no escoamento da produção”, afirma Alexandre Dal Forno, Head de Produtos Corporativos & IoT na TIM Brasil.

“ A digitalização de processos por meio da conectividade de dispositivos, máquinas e pessoas é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento do mercado como um todo. O Brasil tem um potencial enorme para o desenvolvimento de soluções que possam sanar as principais dificuldades deste segmento no mundo”, pontua o executivo.

Apesar dos avanços tecnológicos, a falta de infraestrutura de telecomunicação, principalmente, em regiões mais distantes no país ainda é um obstáculo enfrentado pelo agronegócio.

Para oferecer essa conectividade, o “4G Tim no Campo” disponibiliza uma rede com novas faixas, “como é o caso da ativação da faixa 700MHz que permite que a internet chegue dentro dos próprios tratores”.

Durante a Futurecom 2018, evento de tecnologia e telecomunicações que aconteceu em São Paulo, as empresas apresentaram cases sobre como diferentes tecnologias podem promover a digitalização de processos pela conectividade de dispositivos e máquinas no agronegócio.

“A única forma do agricultor começar, efetivamente, a acompanhar o crescimento da  demanda [de alimentos] é com consciência, com tecnologia e com a digitalização do campo. O alicerce disso tudo é a conectividade. A conectividade no campo nada mais é do que um custo. São as aplicações que trazem o impacto para o meio ambiente, o impacto econômico e o ganho de produtividade”, explica Renato Bueno, gerente de marketing da Nokia ao ONB.

Segundo o especialista, o uso dos equipamentos corretos para uma determinada fazenda pode não só aumentar a produção, mas também trazer ganhos ambientais e reduzir o uso de agrotóxicos, como é o caso das estações meteorológicas da empresa Metos.

(Foto: Luciana Almeida)

O equipamento, que funciona a energia solar, é composto por um monitor de pluviosidade, sensor de chuva, radiação solar, temperatura e umidade relativa, e velocidade do vento.

Por meio do sistema NBIOT, o equipamento precisa de uma frequência baixa de rede de dados para fornecer as informações necessárias ao agricultor. Os dados recebidos são acoplados em uma plataforma na nuvem e processados para o produtor tomar decisões.

“O agricultor pode saber, por exemplo, qual a melhor janela de fertilização ou combater pragas com soluções biológicas. Se estiver muito vento ou for chover no dia seguinte, o agricultor não deve pulverizar uma determinada área. Então, ao dizer pra ele as janelas ideais de pulverização, ele está não só reduzindo o custo, como também melhorando o relacionamento com o meio ambiente”, explica Bueno.

A análise dessas informações também pode reduzir o uso de agrotóxicos nos cultivos tradicionais e torná-los mais sustentáveis, segundo o especialista. “Esse tipo de tecnologia permite que você tenha muito mais inteligência no uso dos elementos na agricultura. Ao  agregar e correlacionar esses dados, eu posso predizer o potencial de uma praga. Então nesse período do ano, existe a probabilidade de uma determinada praga e naquele não, ao alertar o agricultor, ele pode evitar o uso de fungicida e deixar o alimento mais saudável”.

O drone também se tornou mais uma ferramenta de trabalho para o produtor, que consegue avaliar o plantio com mais precisão e identificar possíveis problemas e diferentes aspectos na lavoura.

(Foto: Luciana Almeida)

Até 2020, cerca de US$100 bilhões devem ser investidos em drones no mundo, sendo US$5,92 bilhões pela agricultura, projeta a Goldman Sachs Research, empresa de serviços bancários de investimento.

“O uso de drone pode fornecer informações como áreas densamente povoadas por plantas e a altimetria. Estas informações juntas permitem ao agrônomo e ao gestor tomarem a decisão georreferenciada, o que a máquina deve fazer e por onde ela deve passar”, explica Bueno.

Atualmente, as informações coletadas por drones são enviadas para uma plataforma de gestão. Mas segundo especialistas, em breve, elas irão diretamente para o computador de bordo das máquinas agrícolas.

A conexão entre drones e máquinas no campo é um dos objetivos da empresa New  Holland, pertencente ao grupo CNH Industrial e que trabalha na fase-piloto do serviço de mapeamento aéreo para agricultores.

Segundo o especialista da Agricultura PLM, Marco Milan, o mapeamento é feito de acordo com a necessidade de cada produtor e permite identificar falhas de plantio, mapear linhas de colheita, altimetria e volumetria, verificar a saúde das plantas até pontos da produção que precisam ser melhorados.

Até o momento, já foram mapeados 4 mil hectares nas regiões Sul e Sudeste.