Eu estive na Naturaltech 2025 na quarta-feira, 11 de abril, dia da abertura. Circulei pouco e com alguma objetividade na feira, então não vou me prolongar muito desta vez (embora ainda tenha mais materiais para produzir para o meu Medium, newsletter e Instagram).
Antes de chegar às principais notas sobre o evento, queria refletir sobre dois pontos:
O primeiro é que percebi que o natural está indo muito para o específico. Antes, enfatizava-se a versatilidade e a multifuncionalidade, devido às múltiplas propriedades das matérias-primas. Hoje, parece que a lógica inverteu um pouco e as marcas têm apostado cada vez mais no específico.
Tem o lado bom de tudo isso que é a variedade do mercado e também o fato de atender a uma das tendências do varejo que é a apresentação constante de novidades. Tem o lado ruim, na minha visão, que é muito produto sem sentido real no mercado.
O segundo ponto é literalmente uma história de corredor que ouvi: um homem dizia a um casal que não estava entendendo muito bem o critério de seleção da feira. Eu sempre tive essa sensação, que os requisitos são meio frouxos, especialmente na área de alimentos do evento, e parece que isso incomoda cada vez mais gente.
Observações feitas, vamos às notas:
Bastão para cabelo. Esse foi o produto da vez e parecia uma febre na feira. Várias marcas apresentaram seus bastões naturais para assentar o penteado, evitando e controlando o frizz. Destaque para os da Pink Cheeks, que apareceu forte com uma linha para práticas esportivas, e a Alva.
Collab. A Alva tinha um estande enorme e levou lançamentos com destaque para a collab com a marca de bebidas vegetais Naveia. As empresas lançaram um creme para mãos e um balm labial com cheirinho de baunilha e uma leve lembrança do café. A textura é muito boa. O sensorial é meio óbvio. Eu, particularmente, não amei.
Proteção solar. Ano passado foi um tema bem forte. Esse ano a tendência se repetiu, com novas marcas lançando os seus. Eu destaco os lançamentos em bastão. Um é o da Bioessência, que promete fator de proteção solar de 63, além de hidratação, e o da marca gaúcha Au Sable, que proporciona toque seco com fácil espalhabilidade e efeito glow. Esse, inclusive, comprei para experimentar e vou falar sobre eles nas minhas redes sociais. Tem FPS 50.
Quero contar melhor essa história em algum momento, mas a Raquel, dona da Au Sable, tem uma história interessantíssima de desenvolvimento de marca e de produto. Ela pratica beach tennis e queria desenvolver produtos de alta performance e alto poder de hidratação, mas que não melassem e não ficassem pegajosos, grudando areia na pele. Parece que ela está conseguindo.
Cuidados íntimos. Os produtos para cuidados íntimos apareceram bastante ano passado também. A Bioessência levou um produto novo, um óleo para a região íntima: o óleo hidratante íntimo Prazer, que promete ação regeneradora e antiatrito, proporcionando conforto e elasticidade.
Menopausa. A Kunda Care é uma marca de produtos para mulheres 40+, na menopausa e perimenopausa. A linha tem suplementos e produtos para a área íntima, como sabonete e creme hidratante.
Pets. Os bichinhos também merecem cuidados naturais. A Botica Natural levou uma linha completa para a feira, incluindo sabonete líquido, água micelar, hidratante para as patinhas e leave-in desembaraçador.
Amazonas e COP 30. O Sebrae levou empresas da Amazonas e do Belém, unindo-as em uma área chamada Amazonas e outra COP 30. Nada de especial entre estas empresas, mas achei bacana a iniciativa.
Embalagem sustentável. Aceitei o convite do time de comunicação da Braskem para visitar o estande da Cazoolo. Trata-se do lab de embalagens circulares da empresa, lançado há três anos. Lá, tive uma conversa interessantíssima com o Tarcio Borgo, design de produto. Ele contou que marcas como Sallve, L’oreal e Danone já contataram o lab para fazer desenvolvimentos.
Entre as possibilidades oferecidas pela Cazoolo, há desde um processo totalmente customizado e exclusivo até a plataforma digital Ready Packaging, que já tem um portfólio online com embalagens sustentáveis prontas para o uso, focadas em atender, sobretudo, às necessidades das pequenas e médias empresas. Eu sempre enfatizei nos meus conteúdos a defasagem das empresas do natural neste aspecto da embalagem, portanto, quero fazer algo mais aprofundado em breve com a Cazoolo para contar com mais detalhes sobre essa proposta tão necessária que se apoia, também, no modelo de open innovation, ou seja, além da Braskem, há a participação de startups e universidades na elaboração das soluções.
Volto em julho, possivelmente com conteúdos de desdobramento da Naturaltech.
Ana Carolina Barbosa é jornalista, especialista em marketing de conteúdo na Cabrun!, aprendiz de perfumaria botânica na Cheimelier, autora da newsletter Flor Que Se Cheire e grande entusiasta do universo de cosméticos naturais.