Quem disse que é fácil educar as crianças para o consumo consciente em um mundo globalizado e de infinitas formas de compra?
Ninguém garantiu e realmente não o é…
Os pequenos vivem no conflito entre o querer, o poder e o precisar!
Um bom exemplo disso: crianças se descabelando em lojas ou supermercados, na tentativa de sensibilizarem os pais para que levarem para casa algo que elas desejam “mais que tudo”. E, veja, esse “tudo” provavelmente deixará de ser tão importante assim horas ou poucos dias após ser adquirido.
Pais que se veem em situação semelhante precisam ficar atentos: esse tipo de “chantagem emocional” feita pela criança é claro sinal que algo não vai bem na educação financeira e para o consumo.
O que e como fazer?
A educação financeira é relevante para preparar o indivíduo a ser uma pessoa com olhar sustentável, assim, deve ser dada em casa e desde muito cedo.
Você certamente faz isso quando ensina seu filho a fechar a torneira enquanto escova os dentes, a apagar a luz toda vez que deixa um ambiente que ficará vazio, ou só colocar no prato a quantidade exata de comida que realmente pretende comer para não desperdiçar os alimentos.

Tais ensinamentos são bagagem de conhecimentos facilitadores das decisões financeiras e de consumo no futuro.
Mas há outras formas de você se questionar para saber se está dando suporte adequado à criança para uma educação financeira adequada:
– Como são encaradas e programadas as compras em casa?
– Como você aborda a questão do dinheiro em família?
– A criança recebe explicações sobre os motivos pelos quais você está comprando o que ela pediu e, principalmente, porque não irá comprar o objeto de desejo dela?
Avaliadas as questões acima, em autorreflexão, vem a pergunta: o que fazer quando o pequeno pede algo supérfluo ou caro demais?
Nesta hora, o pai ou mãe deve explicar a diferença entre querer e precisar. E se não for uma data comemorativa, citar isso também. Mas atenção: nunca atrele uma compra a qualquer tipo de prêmio. Isso pode fazer com que seu filho só realize tarefas como fazer o dever de casa ou arrumar a cama dele pela manhã, mediante a promessa de compra de algo. Prêmios para tarefas que são obrigação das crianças são verdadeiro tiro no pé, além de ser uma forma totalmente errada de educar uma criança.
Quando você nega uma compra, invariavelmente pode rolar um chorinho por parte do filhote, mas esse momento deve ser enfrentado com criatividade, amor e senso de humor por parte do adulto. Nada de stress… Lembre-se: a criança está aprendendo e precisa de limites. Eles são dados por você com paciência!
Com o passar dos anos, o consumo será algo natural e os apelos serão equilibrados com o treino emocional recebido na infância.
Lidando com dinheiro desde cedo
Embora o dinheiro de plástico chegue cedo ao mundo infantil, a criança deve ser apresentada primeiro às moedas e notas. Se não for assim, elas correm o risco de “entenderem” que o cartão de crédito é um passaporte mágico para o fantástico mundo do consumo desenfreado!
Comece ensinando que o dinheiro não é simples de ser obtido. De forma lúdica, com exemplos, explique que ele vem do seu trabalho, e que não é infinito, que você recebe uma determinada quantia todo mês para suprir as necessidades da família como compra de alimentos, roupas, pagar a escola, passear nos finais de semana…

Ao deixar claro que primeiro trabalhamos e depois recebemos o salário, ajudamos nossas crianças a entender que existe um tempo natural de espera, diminuímos sua ansiedade, e desenvolvemos sua autoconfiança, apontando como funciona a dinâmica de geração de recursos.
Quer um exemplo prático de como mostrar isso?
Uma simples compra em supermercado pode se transformar em uma aula de finanças. Assim, leve uma lista com os itens a serem adquiridos, pois as crianças associam a lista às necessidades de consumo básico. Caso não queira comprar algo que elas venham a pedir e que não tenha utilidade ou seja supérfluo, seja claro e diga que não está na lista, explicando os motivos.
Com o tempo, você passará a ouvir frases do tipo: “Podemos comprar isso hoje?” Ou ainda: “Como eu faço para economizar primeiro e só depois gastar?”.
Economizando…
Ensinar o pequeno a economizar é mais simples do que parece!
Uma sugestão é o velho e bom cofrinho em versão repaginada. Ele pode ser um pote de vidro, uma caixinha de madeira, enfim, algo que fique em local de fácil acesso a todos, onde são depositadas moedas e notas de menor valor que sobrem do dia. Essa sobra será chamada de “economia”.

Dessa forma, a criança terá percepção real do que é o dinheiro e como economizá-lo.
Ela perceberá que é preciso um tempo de espera para juntar a quantia necessária para comprar o que se quer. E na hora de contar as “economias” os pequenos irão descobrir o valor de cada moeda e de cada notinha.
Quando o dinheiro guardado chegou ao ponto em que se esperava, o procedimento deve ser o seguinte: vá com sua criança comprar o que ela desejava, enquanto economizava. Após a compra, faça uma pequena comemoração, celebrando a conquista da economia e obtenção do bem desejado por meio do planejamento.
Nessa fase de treino com as finanças, o ponto importante para o sucesso é combinar com elas, com antecedência, tudo que vocês pretendem fazer com o dinheiro guardado.
No futuro, isso se transformará em planejamento estratégico de vida, além de desenvolver no seu filho o hábito do consumo consciente.
Atenção para erros frequentes na educação financeira das crianças:
Não misture NUNCA o dia de passear com o dia de fazer compras.
No dia de passear, você pode optar por eventos que não envolvam consumo, mas diversão, muita brincadeira, arte e cultura.

Já o dia de compras deve ser encarado com responsabilidade.
Neste último caso, o ideal é fazer, junto com o pequeno, pesquisa de preço do produto a ser adquirido, apontando duas ou três opções de compra, e, ao manusear o dinheiro, fazê-lo com firmeza e sem distração. O exemplo é a melhor forma de ensinar.
Talvez, com o tempo, seu filhote acabe preferindo a alegria de passear a fazer compras!
Consumo Consciente
A consciência ambiental deve ser enraizada na criança desde cedo e deve estar incorporada à educação financeira.
Enquanto ensina seu filho a economizar e comprar somente o que precisa, deve auxiliá-lo a fazer essa compra na quantidade necessária, dando preferência a artigos com embalagens recicláveis e provenientes de indústrias que se voltam ao desenvolvimento sustentável.

Ensine-o que tudo na natureza leva tempo para nascer e crescer e que, por isso, nada pode ser desperdiçado. Explique que precisamos pensar na natureza hoje para não ficarmos sem os recursos vindos dela no futuro.
A educação, os princípios e os hábitos ensinados em casa serão o ponto forte na formação do pequeno consumidor e na forma como se relacionam com o meio ambiente. Crie filhos com consciência sustentável.
Educar não é fácil. Trata-se de um processo longo, lento, incansável, mas extremamente recompensador porque demanda troca de muito amor.































