A Sereia está no imaginário de muitas meninas. E o melhor é que as sereias estão numa releitura moderna e inclusiva: a Disney lançará um filme com a ‘Pequena Sereia’ negra e a paratleta Letícia Lucas Ferreira acaba de lançar o livro “Minha mãe é uma sereia”, ressignificando a Sereia com deficiência.
Entrevistamos por email a paratleta e escritora Letícia Lucas Ferreira sobre esse momento em que as mulheres quebram paradigmas e exigem respeito.
Conte quais os maiores obstáculos e como conseguiu superá-los em sua jornada de mulher, mãe, atleta até chegar como escritora infantil.
O maior obstáculo pra qualquer situação na vida de uma pessoa com deficiência, especialmente mulheres é, sem dúvida, o PRÉ-CONCEITO. É esse que tenta nos impedir de conquistar espaços e nos limita à nossa condição física que, para mim, é meramente um detalhe que diz respeito a uma forma diferente de locomoção.
A ilustradora do livro também tem deficiência. Como essa dupla trabalhou afinada… É um livro de superação, inclusão e respeito. Como os pais comentam o conteúdo do livro?
Na verdade, o livro não tem essa conotação da SUPERAÇÃO, que só precisa acontecer devido aos obstáculos que a própria sociedade nos impõe com a falta de respeito aos nossos direitos conquistados, como a obrigatoriedade de acessibilidade.
‘Minha Mãe é uma Sereia’ surgiu com a intenção de trazer para a realidade das crianças uma forma leve e lúdica de falar sobre a inclusão e NORMALIZAR a existência e a vida ativa de pessoas com algum tipo de deficiência, seja física, visual, auditiva, etc.
O respeito a todas as formas de existência e o respeito ao que é diferente do que comumente estamos acostumados, deve ser cultivado nessa geração que será a nossa chance de ver um mundo mais inclusivo, respeitoso e em harmonia com diferentes tipos de corpos e como estes são vistos. Precisamos desmistificar um erro comum: DEFICIÊNCIA NÃO É ANTÔNIMO DE EFICIÊNCIA. SE TRATA DE UM DÉFICIT DE FUNÇÃO e, no meu caso, é uma questão física.
Qual tem sido a receptividade do livro?
O livro sempre é muito bem recebido por onde chega. Quem lê se emociona e relata que precisamos de leituras como esta para um mundo mais inclusivo e mais leve no que se refere ao tema inclusão e respeito.
Qual seria sua recomendação aos governantes para – efetivamente – trabalhar a inclusão nos respectivos estados?
Antes de qualquer boa intenção para trabalhar esse tema, é necessário adquirir conhecimento até mesmo sobre termos mais adequados para se referirem às Pessoas com Deficiência (PCD).
Não temos necessidades especiais por possuirmos uma Deficiência. Não somos exemplos de superação, pois apenas temos que lidar com as dificuldades e prazeres da vida e se existem barreiras para serem superadas, estas foram impostas justamente pela mesma sociedade preconceituosa, que nos aplaude num momento mas que não respeita nossos espaços.
Os Estados precisam atuar mais em campanhas de conscientização, mas conscientizar de forma adequada para não gerar a ideia de que somos seres especiais.
Basta ser justo e cumprir com o que determina a LBI (lei brasileira de inclusão)
O livro ‘Minha mãe é uma sereia’ é mais que fofo, é uma ferramenta linda para os pais ensinarem seus filhos a serem respeitosos e defender a inclusão.
Minha intenção a respeito do livro é que as pessoas abram os olhos, ouvidos e coração para o tema. A qualquer momento de nossas vidas podemos nos deparar com uma situação que exigirá o mínimo conhecimento sobre ser ou ter, próximo a nós, uma pessoa com deficiência na escola, no trabalho ou até mesmo em casa!
Abram seus corações e percebam que existe um mundo esperando por mais inclusão e respeito.
O livro “Minha mãe é uma sereia”, de Letícia Lucas Ferreira com ilustração de Juliane Rittes Oenning Caldas, é uma excelente opção de presente no Dia das crianças.































